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“Central de Flagrantes é masmorra medieval”, diz Sinclapol

(Foto: William Bittar/Massa News) - “Central de Flagrantes é masmorra medieval”, diz Sinclapol
(Foto: William Bittar/Massa News)

O Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol-PR) afirma: no Centro de Curitiba são mais de 300 presos custodiados de maneira irregular, em condições subumanas e 80% deles com doenças transmissíveis. Essa situação foi constatada nesta terça-feira (15), durante uma vistoria na Central de Flagrantes, no Centro de Triagem e na Delegacia de Vigilância e Capturas, que ficam localizadas na região central da cidade.

O presidente do Sinclapol, Fabio Rossi Barddal Drummond, afirmou ao portal Massa News que a situação é insustentável e inadmissível. “Onde deveriam ter quatro presos na Central de Flagrantes, ontem tinham 140. Não só isso, no CT são 177 presos, em um lugar para 50 e na Delegacia de Vigilância e Capturas são 13 presos, ondem nem cela tem”, criticou o presidente que também apontou que “a Central de Flagrantes é masmorra medieval"

De acordo com Drummond, os próprios policiais civis fizeram o pedido para que o sindicato fosse até o local. “Os policiais estão doentes, estão trabalhando sob uma pressão gigantesca e fazendo serviços que não são da Polícia Civil, é inadmissível uma coisa dessa”, revelou o presidente do Sinclapol que ainda cintou as condições dos presos. “Tem lugar que nem cela e colocaram só uma grade. Uma senhora está presa em um cano, algemada. Além disso, em uma das salas da Central de Flagrantes os presos estão algemados uns aos outros e se escalarem a janela vão sair pelo teto da delegacia”.

Recentemente, o Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) divulgou um relatório falando sobre a superlotação nas delegacias de polícia e a auditoria apontou que, conforme dados da Polícia Civil e do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), em 10 de dezembro de 2017 havia 10.7295 presos em carceragens de delegacias e cadeias públicas no Estado ocupando 3.618 vagas, um déficit de 7.111 vagas.

Para o presidente do Sinclapol, esse número já é muito maior. “Hoje nas delegacias de polícia do Paraná têm mais presos do que os que estão em regime fechado nas penitenciárias, são quase 12 mil detentos nas carceragens da Polícia Civil”.

Segundo o sindicato, uma reunião foi realizada na manhã desta quarta-feira (16) com o secretário de Segurança Pública do Paraná, Júlio Reis, mas os policiais civis estão cansados de promessas e querem solução. “Todo dia chegam 10 presos na Central de Flagrantes e nenhum é tirado de lá. O Governo fala tanto em 14 obras, mas isso é só conversa. Fazem descaso disso, muita conversa, muita reunião, muito cafezinho, mas solução para o problema não existe”.

Drummond ainda afirmou que o sindicato já preparou um pedido de interdição imediata da Central de Flagrantes. “Nós filmamos as condições dos presos e dos policiais e vamos incluir esses vídeos no pedido que será entregue hoje ao Ministério Público do Paraná e para o Judiciário. Essa situação não pode ficar assim”, finalizou.

O portal Massa News entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e com o Departamento Penitenciário (Depen) e aguarda um posicionamento.

Atualização

No final da tarde desta quarta-feira (16), o Departamento Penitenciário do Paraná informou que "em conjunto com diversos órgãos, tem concentrado esforços para reduzir o problema da superlotação e minimizar os transtornos verificados até o momento". 

A Sesp ainda não se pronunciou sobre o caso.

Colaboração Viviane Nonato e Carolina Gabardo Belo