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Em áudio, ex-PM suspeito de matar ex-colega de farda diz "não ter medo de cadeia"

Em uma conversa com um suposto traficante de São José dos Pinhais, divulgada com exclusividade nesta segunda-feira (7) pela Rede Massa, o ex-policial militar Rodrigo Jaques dos Santos afirmou que já respondeu por um homicídio e disse ‘não ter medo de cadeia’. A dupla é suspeita pelo assassinato do também ex-PM, Rodrigo Lourenço Barbosa, encontrado morto na última quarta-feira (2), no bairro Borda do Campo.

Barbosa, de 35 anos, desapareceu no dia 23 de dezembro e, de acordo com a investigação, a casa em que a vítima morava com Santos, desde que ambos haviam sido exonerados da Polícia Militar (PM), na metade de 2018, estava completamente suja de sangue. O advogado Jeffrey Chiquini, que atua na defesa de Santos, porém, afirmou que seu cliente estava na praia no dia do desaparecimento do amigo e que não tem envolvimento algum com o crime, que seria passional, já que Barbosa estaria se envolvendo com uma mulher comprometida.

O delegado responsável pelo caso, Michel Rodrigues, relatou à reportagem da Rede Massa que a mulher com quem a vítima teria envolvimento, identificada como Miriam, foi até a delegacia e confirmou tal versão. De acordo com a suspeita, Erickson Guga, que é traficante, assassinou Barbosa e lhe agrediu em seguida. Como as agressões foram confirmadas por exames, o suspeito foi preso na Delegacia da Mulher.

Áudios

O caso, porém, ganhou outro capítulo após uma conversa entre o ex-PM Rodrigo Jaques dos Santos e o suposto traficante, Guga, ser divulgada. Nos áudios, a dupla fala sobre a vítima e, em um primeiro momento, Guga relata que pretende ‘rondar’ a casa em que os ex policiais moram para conseguir tirar Barbosa do local. “Eu vou estar rondando por ali, se eu conseguir tirar ele dali... senão na sequência aí a gente conversa, beleza? Mas conto contigo aí, com a tua ajuda, qualquer coisa ‘tamo junto’”, afirma.

Santos, por sua vez, aconselha o traficante a não circular pela região, pois a casa é monitorada por câmeras de segurança e a vítima perceberia a ação. “Ele fica o dia inteiro e a noite inteira nas câmeras, e isso me enche o saco também. (...) E se ele ver tua moto, ver você passando... qualquer pessoa que passa lá ele acha que é a mando seu, entendeu? Aí ele vai querer sair atrás de você, e tal”, avisa o ex-PM. Em seguida, o suspeito afirma que vai mandar mensagem para o ex-colega de farda para combinar uma conversa. “Vou ver o que ele está querendo, porque senão a gente vai ter que sair dessa “união” aí, porque eu não quero atraso para a minha vida não”.

Em outro áudio, porém, Santos muda o tom ao falar do amigo com quem dividia a casa e faz ameaças. “Quanto alguém tira com a minha cara, vai fazer joguinho, vai fazer casinha, aí dá ruim, ‘tá’ ligado? Eu não tenho medo de cadeia, eu não tenho medo de nada, eu já puxei três anos, você sabe. Não puxei seis meses igual ele [Barbosa] puxou por bater em mulher. Então eu não tenho medo de ninguém e de nada, cara. Pelo contrário, o cara quer falar, arma casinha e quer falar mal de mim... já era para ele, ‘tá’ ligado?”, completa.

Neste momento, Guga pede a confiança de Santos e diz que a vítima foi ‘talarica’, termo usado para se referir a quem se envolve com a mulher de algum amigo. “Preciso da tua confiança, cara. Eu não estou aqui para te passar para trás, eu realmente estou do seu lado aí... ontem você me ajudou, eu reconheço. Quem bancou o ‘talarico’ foi ele”, disse. Em seguida, o traficante fala sobre Miriam, a mulher que teria se relacionado com ambos os envolvidos. “Peguei ela colocando o tênis e imaginei, sabia que ela era uma p*, uma desgraçada mesmo. Estava comigo só por causa do pó, agora que ela vá cheirar pó no quinto do inferno”.

Por fim, Santos conta que as academias que tinha em sociedade com Barbosa estão somente em seu nome, e volta a falar que não tem medo de ir preso. “As academias lá não têm nada dele, é tudo meu, beleza? Está tudo no meu nome, então pode ficar sossegado que eu tenho palavra. Como eu te falei, eu não puxei artigo 157 [assalto a mão armada], meu artigo foi 121 [homicídio], você sabe disso”.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de São José dos Pinhais, e os três envolvidos estão sendo tratados como suspeitos.

 Colaboração Lucas Rocha/Rede Massa

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