Você poderá alterar sua localização a qualquer momento clicando aqui.
Ocultar   |   Alterar cidade
Você está vendo conteúdo de Curitiba e região.
Ocultar   |   Alterar cidade

"Médico das celebridades" é acusado de aplicar medicamento vencido e atuar sem registro

(Foto: Ilustração/Pixabay) - "Médico das celebridades" é acusado de aplicar medicamento vencido
(Foto: Ilustração/Pixabay)

Entre festas, badalação, amizade com muita gente famosa e o título de “médico das celebridades”, um suposto ‘doutor’, que atendia no bairro Batel, em Curitiba, entrou na mira da polícia. Investigado desde o fim de 2017, o homem é acusado de exercer a medicina mesmo com o registro profissional cassado em diversos estados do país e, ainda, aplicar medicamentos vencidos em dezenas de pacientes.

Durante as investigações, que tiveram início após a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (DECRISA) receber várias denúncias anônimas, a equipe descobriu que Eduardo Gomes de Azevedo, o “médico das celebridades”, estava com o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná e não podia exercer a profissão. “Verificamos depois que, na verdade, o registro estava cassado em praticamente todos os estados da federação, inclusive no Conselho Federal de Medicina, o que proíbe o exercício legal de medicina”, informou o delegado Vilson Alves de Toledo, responsável pelo caso.

Desta forma, a delegacia montou uma ação conjunta com a Vigilância Sanitária de Curitiba e o CRM, que resultou na interdição da clínica em que o falso médico atuava, localizada no Batel, e na apreensão de diversos medicamentos vencidos, de origem proibida e sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Ele [Azevedo] inclusive foi preso em São Paulo utilizando produtos similares ao que nós apreendemos aqui no Paraná. Foram constatadas inúmeras irregularidades, desde multivitamínicos com validade vencida, multivitamínicos injetáveis vencidos, produtos com acondicionamento irregular, resultando em 17 autuações”, afirmou.

Na sala de espera do consultório em que o suposto médico atendia eram exibidos quadros com pessoas famosas, ostentando o reconhecimento entre as celebridades, e as consultas eram ‘salgadas’. “O que se apurou é que de fato ele ostentava esse título e cobrava caro pelas consultas. Esses pacientes não sabiam de nada... de repente iam achando que teriam seu antienvelhecimento ou teriam algum benefício que fosse melhorar sua saúde, mas na verdade estavam sendo injetados com veneno”, explicou Toledo.

Na operação também foram apreendidos itens como carimbos com o nome de Azevedo, receituários e listas de pacientes, que comprovam, de acordo com o delegado, a atuação irregular do falso médico. Além disso, até mesmo a placa do prédio informava, de forma ostensiva, que o Azevedo atendia ali. “Foram demonstradas a série de irregularidades pelas autuações da Vigilância Sanitária, e a apreensão desses itens confirmaram a atuação desse médico, que serve quase como um auto”.

O irmão de Azevedo, que também exercia a profissão mesmo com o registro cassado, também deve responder criminalmente pelas acusações. “Consta que ele atuava de forma conjunta, e também foram apreendidos receituários e carimbos com nome dele, além de pedidos de manipulações de produtos que comprovam a atuação dos dois médicos, que não tinham registro no CRM do Paraná”, disse. Há também a denúncia de que os profissionais realizavam a manipulação de medicamento em nome próximo para fornecer a pacientes. “Isso também é de uso ilegal, é proibido, e deve estar dentro de uma das autuações feitas”.

O delegado contou, ainda, que não há confirmação do local em que os irmãos estão e que já foram expedidas cartas precatórias para ouvi-los, mas ainda não houve uma resposta. “Hoje eles estão sem falar com a polícia, então estamos aguardando e, após um não retorno positivo, vamos não só indicia-los como também representar pela prisão”, garantiu Toledo, apontando que a dupla vem “zombando” da polícia, já que praticam o exercício irregular da profissão mesmo tendo o registro cassado em vários estados. Além disso, os funcionários das clínicas foram abandonados e não receberam salário após a interdição.

Azevedo deve responder por crime contra saúde pública, especificamente por usar produtos sem registro em órgão sanitário oficial e sem procedência. A pena prevista para o crime é de 10 a 15 anos de reclusão.

Colaboração Ricardo Pereira/Rede Massa