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Mulher usa remédio a base de maconha para tratar doença do filho

Quem está ligado no noticiário já ouviu falar do tratamento a partir do cannabidiol, um composto encontrado na maconha. Apesar de proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), uma família de Ponta Grossa está apostando neste óleo para a melhora do filho com deficiência.

A história de luta pela vida de Vitor começou há 10 anos. Grávida de apenas cinco meses, a engenheira eletricista Maria Aline Gonçalves começou a sentir fortes dores na barriga e recebeu a notícia: estava entrando em trabalho de parto. Com o nascimento prematuro, o garoto veio ao mundo com vários problemas de saúde.

“Ele acabou saindo da UTI tomando anticonvulsivante, a visão já estava comprometida porque ele teve retinopatia da prematuridade, e com um ano e meio ele foi diagnosticado com síndrome de west [síndrome que causa epilepsia]”, relata a mãe de Vitor.

A cada ano a situação piorava. Com a visão comprometida, uma síndrome rara e portador de autismo, o Vitor se tornou agressivo. Ele se machucava muito e tinha diversas convulsões por dia. A cada crise, a família se desesperava. Foi então que a Maria Aline resolveu arriscar. Há tempos ela ouvia falar dos benefícios do cannabidiol, um composto derivado da maconha. Como o Vitor não melhorava com os remédios receitados pelos médicos, ela entrou em contato com uma associação especializada no assunto, que fica na Paraíba, e deu início ao tratamento alternativo.

Mesmo obtendo o composto de forma ilegal, há um mês o Vitor toma 16 gotinhas da solução por dia e a melhora já é visível. “É outra criança, ele está aqui calmo, tranquilo, feliz. Eu notei que melhorou muito o sono, de dia ele fica ativo, acordado, brincando, ele está mais disposto e isso é o que importa. O principal e mais surpreendente é que ele não está convulsionando”, comenta.

Se o composto faz tão bem para os pacientes, porque o canabidiol não pode ser legalizado e vendido nas prateleiras das farmácias? O tema ainda gera muito debate. Segundo especialistas, ainda não há comprovação suficiente dos benefícios da substância e tratar o paciente somente com o composto pode ser um risco, conforme explica o farmacêutico Edmar Miyoshi.

“Ele não foi comercializado e legalizado porque nós temos ainda poucos estudos que comprovem a segurança desse tratamento e a eficácia. A partir de vários estudos que mostrem isso, com certeza esse medicamento será legalizado”, explica.

Mesmo sendo proibida a aquisição do medicamento sem o consentimento da Anvisa, nunca um remédio fez tanto efeito no pequeno Vitor. A mãe dele, desesperada, pede pela legalização do composto. “A gente precisa de mais pessoas pesquisando isso aqui no Brasil, porque tem pesquisas fora, mas ainda é caro para a gente importar, então o principal pedido é que todo mundo se una e legalize o óleo. Tem que legalizar, não é uma droga. Droga são os remédios que eu dava para ele não convulsionar”, conclui.

Colaboração Carla Yarin, da Rede Massa.

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