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Rebelião na PEC segue sem perspectiva de encerrar

(Foto: Reprodução Rede Massa) - Rebelião na PEC segue sem perspectiva de encerrar
(Foto: Reprodução Rede Massa)

Segue sem perspectiva de um desfecho a rebelião de presos na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), iniciada na tarde de quinta-feira (9) e que seguiu madrugada e sexta-feira (10) adentro.

As informações confirmadas pelas autoridades até o fim desta manhã, são de que dois detentos foram mortos, um deles foi identificado como Thiago Gomes de Souza, que foi decapitado. O outro morto não teve a identificação revelada.

A Secretaria de Segurança e Administração Penitenciária (Sesp) emitiu nota durante a manhã afirmando que as negociações com os detentos continuam e que a “situação está administrada”.  O comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar, coronel Washington Lee Abe, disse em entrevista que o que havia sido acordado com os presos não foi cumprido e que então, pela manhã, a negociação voltou a estaca zero. “Eles não cumpriram com o acordo que era entregar a cadeia nesta manhã”, disse.

Não foram reveladas informações sobre a quantidade de feridos. Dois dos três agentes carcerários que foram feitos reféns continuam sob o poder dos presos. Conforme a Sesp, “eles estariam feridos, mas bem”. Um agente foi resgatado na tarde de quinta-feira com ferimentos. Ele foi socorrido e passa bem.

A unidade tem capacidade para 1.060 detentos e estava com 980 presos no momento do motim. Até agora, 150 foram transferidos, sendo 100 para a Penitenciária Industrial de Cascavel (PIC) e 50 para a cadeia pública da 15ª Subdivisão Policial.

Tensão

Durante a manhã o Pelotão de Choque da Polícia Militar chegou a se posicionar para entrar na unidade, no entanto, recuou diante do protesto dos presos que tomaram o telhado da Penitenciária. Eles também se mostraram revoltados com os sobrevoos do helicóptero da Polícia Militar. Alguns presos foram feitos reféns, e ‘torturados’. Eles seriam acusados de crimes sexuais. Os corpos dos mortos foram jogados do telhado. As cenas foram de barbárie. ‘Bandeiras’ feitas de lençóis e com as inscrições da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em sangue estão sendo agitadas. Uma bandeira do Estado do Paraná, com inscrições do PCC e suja de sangue também é usada pelos presos.

Os presos pediam alimentos e água. No fim da manhã eles solicitavam ainda a presença da imprensa, do juiz da Vara de Execuções Penais, Paulo Damas e do diretor do Departamento Penitenciário Estadual (Depen), Luiz Alberto Cartaxo Moura.

Não se tem confirmação sobre a motivação para a rebelião. A Sesp divulgou que uma “briga entre facções teria sido o estopim da revolta”. No entanto, familiares de presos que acompanham a situação relatam que “a revolta se dá por conta da repressão dos agentes para com os presos”. A Polícia Militar isolou a entrada da estrada que dá acesso a PEC desde a BR-277. Muitos familiares passaram a noite no local e seguem buscando informações. Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil também acompanham o caso.

Destruição

A avaliação efetuada até agora, é de que cerca de 90% da unidade foi destruída. Por várias vezes fumaça foi avistada saindo da unidade. A equipe da Rede Massa mostrou durante a manhã, imagens em que os presos destroem o telhado, com barras de ferro e estoques.

A unidade foi reconstruída ‘recentemente’, as obras foram encerradas em novembro de 2016. Foram investidos R$ 1,5 milhão para a recuperação, uma vez que a Penitenciária foi praticamente destruída durante outra rebelião registrada em 2014. Na ocasião, o motim considerado o mais violento do Paraná, resultou na morte de cinco presos, 28 pessoas feridas e teve duração de 45 horas. As investigações da polícia indiciaram 36 detentos pelos crimes, mas, até agora, nenhum foi efetivamente responsabilizado.

Na época foram necessárias transferências em massa, o que gerou superlotação nas demais unidades prisionais do Estado, que já seguem com capacidade máxima.

Colaboração Cristiane Guimarães/André Garcia/Rede Massa