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Universidade Estadual de Maringá desenvolve projeto pioneiro de diálogo entre presos e estudantes

Universidade Estadual de Maringá desenvolve projeto pioneiro de diálogo entre presos e estudantes Universidade Estadual de Maringá desenvolve projeto pioneiro de diálogo entre presos e estudantes

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) é a primeira do estado a lançar um projeto desenvolvido com detentos, baseado no processo de escuta. Semanalmente, alunos de diversos cursos, como Serviço Social e Psicologia, vão à penitenciária para um grupo de convivência, inspirado em uma proposta surgida na Universidade de São Paulo (USP).

O grupo reúne 21 estudantes que passaram por um processo de seleção e há lista de espera de interessados. Entre os presos, vários sequer recebem visitas, então a conversa com os acadêmicos acaba se tornando o único contato com o mundo fora das grades.

“Nem sempre a gente preso, nós somos bichos. Nós estamos presos, mas também somo seres humanos”, defende o detento Josevan Lima. O diálogo muda justamente os conceitos pré-estabelecidos em relação à população carcerária, como contou  a estudante Jana Bataglini.

“Fiquei surpresa quando cheguei aqui e já vi senhores mais maduros, alguns até de cabelo branco e eu analisei da seguinte forma: se eu visse eles na rua, eu jamais atribuiria que seriam ex-presidiários”, declarou.

O detento Josevan Lima destaca que é uma maneira de construir uma nova imagem diante da comunidade. “É uma oportunidade de você ter contato com essas pessoas, das pessoas saberem que não vou atacá-las ou agredi-las”, pontuou.

Com estudantes e presos modificados pela partilha de experiências, a expectativa é reconstruir relações. “Antes de eu cair preso, eu tinha uma visão que a cadeia tinha que cair uma bomba e matar todo mundo. A partir do momento que eu caí aqui, eu vi como é. Tem dificuldade, têm sentimentos de alegria, tristeza, ansiedade, da espera por uma visita que não vem, tudo isso tem um impacto no psicológico”, relata um preso.

Outro detento declarou que a participação no projeto dá a perspectiva que a sociedade ainda possa recebê-los novamente.

Colaboração Brenda Caramaschi e Creval Sabino da Rede Massa