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“Vamos oferecer recurso, com a certeza de que o Tribunal de Justiça submeterá o caso ao Júri Popular”

(Foto: Paulo Evaristo de Paula/Rede Massa) - 'Vamos oferecer recurso, com confiança que o TJ encaminhe ao Júri'
(Foto: Paulo Evaristo de Paula/Rede Massa)

O Ministério Público do Paraná também convocou a imprensa na manhã desta sexta-feira (21) para falar sobre a absolvição da médica Virgínia Helena Soares de Souza. Os procuradores Fernanda Nagl Garcez e Paulo Sérgio Markowiscz, de Lima, afirmaram que apesar de “respeitarem a decisão da Justiça, não concordam com ela”. “Vamos oferecer recurso, com a certeza que o Tribunal de Justiça, analisando todas as provas remeterá o caso a Júri”, afirmou Markowiscz.

O procurador destacou que apesar de “o juiz alegar que o MP não provou de forma cabal a existência de crimes, não é o MP que deve provar, e sim a sociedade, já que a função da procuradoria é trazer esses elementos”. “O juiz não analisou todas as provas contidas no processo, isso é fato”.

Certeza

Ainda de acordo com o procurador, pelas provas produzidas, “o MP tem certeza que a doutora Virgínia é culpada pelos crimes de morte”. “Existe todo um conjunto probatório, com comparações de provas periciais e interceptação telefônica. São ligações que o juiz não considerou, disse que estavam descontextualizados. Ele simplesmente acolheu a tese da defesa”, enfatiza. “Mas, estabelecemos de forma clara, que a ré antecipava as mortes”.

Markowiscz também destacou que a decisão pegou todos de surpresa, uma vez que “o MP está convencido que há prova suficiente para a sociedade julgar um caso tão grave”.

Fernanda Garcez discorreu sobre as principais provas, que seriam os prontuários médicos dos pacientes que comprovam que “todos os pacientes que morreram receberam a mesma medicação, sem comprovação técnica da necessidade da aplicação do medicamento e sem que nenhuma medida fosse tomada para reverter a caso”. “Além disso, temos o laudo da perícia técnica do perito médico do Instituto Médico Legal, de um perito isento que de forma científica concluiu que não havia respaldo para aplicar o medicamento”, disse.

A promotora comentou que “ainda existem as ligações telefônicas que concatenam com as informações dos prontuários”. “Infelizmente, e sentença não fez o enfrentamento das provas e preferiu dar maior credibilidade a testemunhos da defesa, feitos por médicos que trabalharam com a doutora Virgínia e que continuam trabalhando no Hospital Evangélico”.

Diante de toda a situação, o MP entendeu, que não houve o enfrentamento necessário. “São 800 páginas de laudos do IML. Esses homicídios aconteceram e devem ser julgados pelo Tribunal do Júri”.

Sobre a declaração da defesa da médica, “de que a polícia teria agido de má-fé, em relação a uma suposta troca dos termos ‘raciocinar por assassinar’”, Fernando disse que “a prova em questão, sequer é relevante. “A defesa não buscou invalidar a prova, ela não é relacionada a nenhum paciente e não teve a menor importância no conjunto”.

O prazo legal para o MP recorrer ao Tribunal de Justiça é de 5 dias e de 15 dias para entrega ao TJ das razões e recursos.  

Colaboração Ana Krüger/Rudnei Vieira/Rede Massa