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Vítima de assassinato foi “interrogada” por suposto estupro de criança

(Foto: Jeferson Weiss/Rede Massa) - Vítima de assassinato foi “interrogada” por suposto estupro de criança
(Foto: Jeferson Weiss/Rede Massa)

O inquérito sobre o assassinato de um homem de 54 anos, cujo corpo foi encontrado na tarde da última segunda-feira (5) em uma área de ocupação no bairro Caximba, em Curitiba, traz detalhes sobre um interrogatório da vítima sobre um suposto estupro de um menino de cinco anos. O abuso teria sido o motivo do homicídio do homem, como forma de represália.

A mãe da criança contou à polícia que soube do caso depois do próprio filho relatar que foi ferido, ao sentir muitas dores. Isto teria acontecido enquanto o menino estava na casa de uma amiga da mãe. A suposta vítima disse que seria o marido dela o autor da agressão e a notícia se espalhou na comunidade.

Segundo o delegado Fabio Machado, da Central de Flagrantes de Curitiba, os autos trazem que a vítima e sua esposa foram retirados do carro onde estavam, no último domingo (4), por quatro suspeitos. O casal foi levado para uma residência, onde o grupo iniciou um interrogatório, perguntando se ele realmente tinha estuprado a criança. Tanto o homem quanto a mulher foram então encaminhados para a casa da mãe do menino. A sessão de interrogatório recomeçou, até que os suspeitos decidiram chamar a criança e pediram para que ela apontasse quem cometeu o abuso.

“A criança teria apontado para o homem ao ser perguntado sobre quem o estuprou. Ele, que negava o fato, disse então que exames desmentiriam a participação dele no crime. Os suspeitos, então, teriam dito que ‘aqui não tem exame não’”, contou o delegado Fabio Machado, que recebeu inicialmente o caso.

Ainda conforme os autos, o homem foi então retirado da residência e levado para um matagal, onde foi executado. Pouco antes, ordenou para que a mãe e seu filho, além da esposa do homem, permanecessem no local e não saíssem em hipótese alguma. “Eles ouviram os tiros e, em seguida, os homens pediram para que não fosse acionada a polícia ou fosse feito boletim de ocorrência. Ainda mandaram que todos seguissem com suas vidas”, detalhou Machado.

A partir da localização do corpo, a mãe da criança, a esposa da vítima e outras duas pessoas foram levadas para a Central de Flagrantes para prestar depoimento. Ninguém foi preso. Os quatro homens que teriam cometido o crime não foram identificados. “Até foi levantada a hipótese de que a mãe do menino tivesse chamado os suspeitos para cometer o crime, mas não há nada que comprove isso”, salientou o delegado.

Ainda na segunda-feira foi expedida a guia para que a mãe da criança a levasse até o Instituto Médico Legal (IML) para realização de exames que podem ou não comprovar o estupro. Ainda não há confirmação se isto aconteceu ou não. “Como não houve flagrante, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai investigar o homicídio, enquanto o Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) vai apurar o estupro”, afirmou Machado.