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Bancada do RJ vê com reserva pedido de intervenção e fala em comissão externa

Parlamentares da bancada do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados se reuniram na noite desta quarta-feira (9) para discutir soluções para a crise vivida pelo Estado. O deputado Hugo Leal (PSB-RJ) sugeriu um pedido de intervenção federal, proposta que foi recebida com reservas por ser considerada muito radical. A tendência da bancada é criar uma comissão externa para acompanhar a situação financeira do Estado e avaliar soluções possíveis.

"Em que pese o Pezão (governador do Rio, Luiz Fernando Pezão) não nos procurar e ignorar solenemente a bancada, temos obrigação de ao menos tentar ajudar em alguma coisa. Acho que iniciativa da deputada Laura Carneiro (de criar comissão externa) foi boa. Poderíamos propor punição, fazer diagnóstico sobre possíveis saídas e na semana seguinte fazer reunião com propostas para ajudar. Acho a saída da intervenção radical, mas temos de achar uma saída", disse o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Celso Pansera, deputado pelo PMDB-RJ.

Até as 21h, 26 dos 46 deputados da bancada fluminense haviam comparecido à reunião, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Maia esteve mais cedo em um encontro com Pezão e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Segundo o democrata, o governo federal calcula que o Estado do Rio de Janeiro precisaria de um resgate entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões para sobreviver nos próximos 12 meses.

Na reunião da bancada, deputados de diferentes correntes políticas defenderam "deixar as questões partidárias de lado". Mesmo correligionários de Pezão, que pertence aos quadros do PMDB, se manifestaram no sentido de tentar encontrar soluções para a crise.

"Temos que elaborar uma ou duas propostas que possam ajudar o Estado. O encaminhamento dado está absolutamente equivocado", disse o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ). "Sou absolutamente contra taxação de inativos, isso está completamente fora de questão", afirmou a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ).

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) observou que não adianta, nessa situação, dar mais recursos para o Rio de Janeiro. "Botar recurso num saco sem fundo enquanto não houver cortes e choque de gestão que precisa ser dado no Estado do Rio não vai resolver o problema", disse.

O democrata sugeriu que antes Pezão seja cobrado pela realização de medidas previstas no artigo 169 da Constituição, como a redução de 20% das despesas com cargos comissionados, exoneração de servidores não estáveis e, posteriormente, até daqueles que têm estabilidade. "Logo depois, se o Rio não atender artigo 169, eu toparia intervenção", afirmou Cavalcante.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) avaliou que uma intervenção federal "por um governo que não tem dinheiro" causaria uma crise federativa. "Tem outras medidas que podem ser estudadas", defendeu. Diversos deputados sugeriram uma visita a Pezão na próxima semana para estabelecer um diálogo e reclamaram que o governador esteve em Brasília ontem e hoje, mas não procurou a bancada.

Sobraram críticas até mesmo para o vice-governador Francisco Dornelles, que assumiu o governo por mais de sete meses enquanto Pezão tratava uma doença. "Pezão não foi bem orientado, Dornelles acabou não compartilhando a situação, que acabou se agravando", avaliou a deputada Benedita da Silva (PT-RJ). (Idiana Tomazelli - idiana.tomazelli@estadao.com)