Você poderá alterar sua localização a qualquer momento clicando aqui.
Ocultar   |   Alterar cidade
Você está vendo conteúdo de Curitiba e região.
Ocultar   |   Alterar cidade

'Estão atrasados', pressionava Cunha por propina, diz delator

Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil - 'Estão atrasados', pressionava Cunha por propina, diz delator
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, na Operação Lava Jato, o empresário Ricardo Pernambuco Junior, um dos delatores da Lava Jato, contou à força-tarefa da operação que o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reclamou de atraso no pagamento de propina. Pernambuco Júnior apontou pagamento de US$ 4,6 milhões ao deputado entre 2011 e 2014, sob contratos de obras relacionadas ao Porto Maravilha, no Rio.

Segundo o delator, a propina total era de R$ 52 milhões, que deveriam ser divididos pela Carioca Engenharia - R$ 13 milhões -, OAS e Odebrecht, sobre contratos do Porto Maravilha. O empresário entregou aos investigadores uma tabela que aponta 22 depósitos somando US$ 4.680.297,05 em propinas supostamente pagas pela Carioca a Eduardo Cunha entre 10 de agosto de 2011 e 19 de setembro de 2014.

O maior repasse ocorreu em 26 de agosto de 2013 no valor de US$ 391 mil depositados em conta do peemedebista no banco suíço Julius Baer. Em 2011 foram quatro depósitos, somando US$ 1,12 milhão.

Em 2012, Eduardo Cunha recebeu só dessa fonte outros US$ 1,34 milhão divididos em seis depósitos. A tabela revela que em 2013 o deputado - que ainda não exercia a presidência da Casa -, foi contemplado com mais seis depósitos, totalizando US$ 1,409 milhão. Já em 2014, Eduardo Cunha recebeu outros seis depósitos que somaram US$ 804 mil.

O empresário foi questionado pelos procuradores sobre o motivo pelo qual passou a haver regularidade nas transferências a partir de junho de 2014. Raul Pernambuco Júnior disse que "pode ter sido uma ordem dada por seu pai ao banco".

"O depoente acredita, também, que a regularidade possa ter decorrido das cobranças do deputado Eduardo Cunha, pois o depoente e seu pai ficaram um período sem realizar as transferências e, por tal motivo, houve a cobrança ao depoente pelo referido parlamentar", relatou o empresário.

Ricardo Pernambuco Jr. afirmou que "nunca falou com qualquer intermediário de Eduardo Cunha". O delator disse, aos procuradores, ao ser questionado se "o valor solicitado por Eduardo Cunha foi pago integralmente", que acredita que, somadas todas as transferências previstas nas duas tabelas, "provavelmente o valor foi praticamente pago na integralidade".

"Era o próprio depoente quem fazia a contabilidade dos valores pagos a Eduardo Cunha, em um documento que já destruiu; o pai do depoente, assim que fazia a transferência, repassava esta informação ao depoente, para que fosse contabilizada", diz o depoimento.

Defesa

Procurada pela reportagem, a assessoria de Eduardo Cunha afirmou que "é a quarta vez que sai matéria sobre mesmo assunto. O presidente (da Câmara) já repudiou os fatos que não tem prova alguma".

Grupo do Massa News no WhatsApp

Receba as principais notícias do dia direto no seu celular.

  Entrar no grupo