Quase 50% da ‘Geração Z’ não tem controle financeiro; veja 6 dicas para administrar gastos

Um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) do Brasil mostra que cerca de 47% dos jovens com idades entre 18 a 25 anos, conhecidos como ‘Geração Z’, não fazem controle dos próprios gastos. A porcentagem reflete no pouco conhecimento que os ‘recém-adultos’ têm sobre a educação financeira e economia

A SPC Brasil é um órgão de tecnologia vinculada à Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que armazena e processa todas as operações de crédito realizadas pelas empresas no país. Os jovens justificaram a falta de controle financeiro em quatro tópicos: não saber fazer (19%); preguiça (18%); falta de hábito ou disciplina (18%); e não ter rendimentos suficientes (16%).

“O jovem, quando entra em estágios ou no mercado de trabalho formal, começa a consumir e parcelar as compras para satisfazer suas vontades, muitas vezes reprimidas. E, então, surge também o efeito avestruz da Economia Comportamental, que ocorre quando o consumidor se recusa a acompanhar o cartão de crédito”, conta a professora de economia da Universidade Positivo (UP), Giovanna Mendes.  

A Economia Comportamental refere-se a situações em que “as decisões das pessoas são tomadas pelas emoções, de forma automática e inconsciente”, explica Giovanna. Um exemplo é uma pesquisa feita pela CNDL e pela SPC Brasil, em parceria com o Sebrae, que revela que 44% das compras realizadas pela internet são feitas por impulso.

Fiz 18 anos, quero aprender a controlar meus gastos. E agora?

“O ideal é aprender a lidar com dinheiro: entender matemática financeira, o conceito de juros, prazos, riscos e retornos. É importante entender o quanto da renda se tem e até quanto pode ser gasto por mês”, afirma a professora.

Em geral, cerca de 30% da renda do trabalhador deve ser guardada por mês. Após poupar uma quantia de dinheiro, deve-se pagar as dívidas para, depois, realizar um planejamento financeiro com metas de curto e longo prazo (por exemplo: ‘quero comprar uma blusa. Em quanto tempo poderia ser comprada? Preciso dela agora?’).

“Com certeza o uso do cartão sem consciência influencia o descontrole, mas não é o culpado. Basta usá-lo com moderação. O pagamento da fatura deve ser feito em uma data em que não se acrescente juros, o que aumenta os custos do cartão de crédito pagos pelo consumidor”, diz Giovanna.

O que a falta de aprendizado sobre educação financeira pode causar?

“Quando eu saí do meu primeiro estágio e fui para o segundo, fiquei um mês sem trabalhar e, consequentemente, sem ganhar salário. Só que mesmo assim eu tinha muitas coisas no crédito e gastei mais do que eu recebi naquele período. Foi desesperador”, conta a estudante de Jornalismo Isadora Deip, de 21 anos. 

A educação financeira é fundamental para ter consciência das receitas e gastos, bem como das metas de cada indivíduo. A falta de conhecimento sobre o assunto “pode se tornar um problema grave. O ideal é começar desde criança nas escolas”, relata Giovanna. 

“Já pesquisei, vi vídeos no YouTube e li sobre o assunto, mas acho que ainda não pesquisei o suficiente para conseguir me organizar bem. Eu não entendo sobre educação financeira como gostaria, o que é ruim, porque temos que estar preparados para situações de emergência”, diz Isadora.

O Governo Federal trouxe o ensino sobre economia para ser abordado de forma transversal pelas escolas em aulas e projetos de várias disciplinas desde 2017 (na educação infantil e ensino fundamental) e 2018 (no ensino médio).

Maria Eduarda Boaron tem 18 anos e saiu do ensino médio em 2021. Ela conta que, no ano passado, a matéria de educação financeira era cobrada como disciplina obrigatória no colégio. “Quem dava as aulas eram os professores de matemática. Deu para ter um conhecimento e uma noção do que é, do que se tratava o assunto”, relembra.

Quais são os primeiros passos para conseguir administrar os gastos?

De acordo com a Isadora, anotar as compras e seus valores é um método que faz parte de sua rotina: “o que eu tento fazer para me organizar é ter uma tabela para registrar os gastos, tanto no crédito quanto no débito. Mas sinto que não me organizo tão bem quanto eu gostaria, porque eu não faço planejamento do que eu vou gastar, principalmente a longo prazo”. 

Para ajudar os ‘recém-adultos’ que estão no início da vida financeira e querem aprender a cuidar bem dos gastos, a professora de economia separou seis dicas que podem dar suporte no controle das finanças:

  • Fazer uma planilha com salários e demais receitas e os gastos de um mês. Essa consciência fará com que muitos verifiquem o quanto gasta com cada item da sua cesta de consumo (alimentação, transporte, aluguel e demais contas) e se organizem com suas compras.
  • Quitar as dívidas o quanto antes para não pagar juros. Se for parcelar, deve-se verificar se é sem juros. Procure, também, instituições financeiras que não cobram anuidade do cartão e taxas de contas bancárias, por exemplo.
  • Se a dívida for do cartão de crédito ou do cheque especial, quite o quanto antes buscando empréstimos mais baratos. Essas duas opções têm as maiores taxas de juros do mercado (mais de 300% ao ano).
  • Resista à tentação de comprar sem necessidade. Um bom exercício é anotar o que quer comprar em uma lista e dar até um mês, quando possível, para decidir se a compra é necessária. Com o tempo, muitos dos itens acabam até desconsiderados, fugindo dos vieses.
  • Guarde parte da renda quando não estiver com dívidas. No início é difícil, mas pode começar com valores pequenos, de modo que todo mês, essa poupança vire uma conta com obrigação. Por exemplo, ao receber, já transfira para poupança ou conta corrente com remuneração R$5,00 ou uma parcela compatível de acordo com a renda, considerando que quanto mais guardar, mais o jovem poderá optar por investir o seu dinheiro ao invés de pagar juros.
  • Permita-se consumir se não estiver endividado, com controle e consciência financeira. Assim, usar o cartão ou fazer compras deixa de ser ruim e se torna satisfatório. No futuro, com uma renda maior, a demanda reprimida será menor e, também, com um salário maior será mais fácil poupar e investir parte do dinheiro.

A educação financeira é a porta de entrada para poder gastar com consciência e de modo correto, sem causar problemas e descontroles. “O tema é muito importante de se aprender para ganhar cada vez mais independência e, acima de tudo, uma vida confortável”, finaliza Isadora.