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O que são os voos com "cidade oculta" e porque as cias aéreas recriminam essa prática?

(Foto: Ilustração / Pixabay) - O que são os voos com "cidade oculta"?
(Foto: Ilustração / Pixabay)

Um truque para comprar passagens aéreas pode permitir uma economia de dinheiro -- caso as companhias não se deem conta. No final de fevereiro, o jornal alemão Bild publicou uma reportagem mostrando que a Lufthansa processou um passageiro que não embarcou no último trecho de uma viagem com escalas.

A empresa tomou a ação legal contra o viajante para impedir que outros façam o mesmo, disse a publicação alemã. O tribunal acabou sentenciando o processo a favor do passageiro, mas a Lufthansa entrou com um recurso. A briga segue na Justiça do país.

A prática de passagens aéreas com "cidade oculta" (skiplagging, no termo em inglês) é aquela em que os passageiros compram um tíquete com escalas, mas terminam suas viagens antes do destino final. As passagens podem acabar saindo mais baratas e têm uma parada em uma cidade importante (o "hub" da companhia), onde os viajantes podem desembarcar.

"Um exemplo seria pensar que uma companhia aérea tem um preço de R$ 1 mil para uma viagem sem escalas entre São Paulo e Manaus. A Azul ou a Gol não têm esse voo direto, mas poderiam reduzir o preço das passagens aos mesmos R$ 1 mil se fizessem uma conexão em Brasília", diz Gustavo Mariotto, diretor da agência de viagens ViajaNet. "A Azul ou a Gol estão tentando se manter competitivas com essa companhia aérea fictícia na rota São Paulo-Manaus oferecendo a mesma tarifa, mas com escala em Brasília", completa.

No entanto, alguns passageiros que vão de São Paulo a Manaus aproveitam a parada em Brasília, cujo preço de uma viagem direta seria maior, e não embarcam para o último trecho. "É uma falha no modelo das companhias que pode ser explorada pelos passageiros", completa ele.

Outro exemplo hipotético seria viajar de Santiago, no Chile, a Lima, no Peru: o preço de um voo desse trecho custa atualmente cerca de R$ 1,9 mil. No entanto, há voos entre Buenos Aires e Lima com escala em Santiago por R$ 1,3 mil. Assim, comprando esse segundo voo e só fazendo o trajeto entre Santiago e Lima, deixando o trecho até a capital argentina de lado, a economia é de R$ 575.

Segundo analistas do setor, essa prática não é nova: ela apenas está ganhando fama. "Muitas companhias aéreas tradicionais durante décadas venderam passagens mais baratas nos mercados estrangeiros para incentivar os passageiros a viajarem por meio do seu aeroporto central com o propósito de economizar custos", explicou John McBride, consultor da American Airlines, ao jornal New York Times.

"Durante muitos anos, as empresas fizeram vistas grossas a essa prática usada por um pequeno grupo de viajantes que tiravam o último trecho da viagem. Elas aceitavam porque, de qualquer forma, os assentos estavam preenchidos", continuou.

O que acontece agora é que existem sites na Internet para que os clientes busquem passagens mais baratas, promovendo a prática de voos com cidade oculta, como é o caso do Skiplagged. A companhia aérea estadunidense United Airlines processou o criador do buscador, Aktarer Zaman, por "concorrência desleal", mas o tribunal em que o pedido foi protocolado afirmou que o caso não é de sua jurisdição.

As companhias aéreas passaram a se preocupar com o skiplagging porque notaram que estão perdendo dinheiro. No caso da Lufthansa, a empresa argumenta que o ato do passageiro violou os termos do contrato de compra de passagem, pedindo uma compensação de R$ 8,8 mil. "Elas não gostam dos tíquetes com cidade oculta, mas seria quase impossível perseguir todos os infratores. No caso da Lufthansa, sem dúvida ela está gastando mais dinheiro em honorários legais do que a soma que perdeu no voo entre Oslo e Seattle, que o passageiro não terminou. Ela só quer enviar uma mensagem", analisou McBride.

A Lufthansa não é a primeira companhia a perseguir um passageiro nessa situação: algumas companhias eliminam a quantidade de milhas daqueles que são flagrados na prática de skiplagging.

Na Internet, porém, pipocam dicas para realizar o processo: uma dica fundamental é que ele dá mais certo com quem viaja pouco de avião. Além disso, é melhor que o passageiro leve apenas bagagem de mão, já que despachar a mala levará, invariavelmente, a ter que completar o destino final. Há ainda o risco do voo desviar no último minuto da escala por causa das condições climáticas. Apesar disso, as vantagens podem ser compensadoras.

"É difícil criticar alguém por querer economizar um pouco de dinheiro em um voo, especialmente quando o sistema das companhias aéreas tem falhas tão óbvias", finalizou McBride.

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