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Rotas de trem e litoral da ilha asiática chamam a atenção de turistas

Rotas de trem e litoral da ilha asiática chamam a atenção de turistas

Quase dez anos depois do fim da guerra civil, o Sri Lanka foi nomeado o melhor país do mundo para ser visitado em 2019 pelo livro Lonely Planet. Melhores conexões de transporte, novos hotéis e um crescente número de atividades turísticas foram citadas como as razões pelas quais a ilha do Sudeste Asiático foi escolhida na publicação anual.

"O Sri Lanka já é notado por viajantes aventureiros por sua mistura de religiões e culturas, seus templos milenares, sua rica e acessível vida selvagem, sua cena de surf crescente e seu povo que oferece todas as boas-vindas depois de décadas de um conflito civil. É um país que revive", diz um trecho do texto publicado pelo editor Ethan Gelber, do livro Best in Travel 2019, publicado pela Lonely Travel no final de outubro.

Ele também cita experiências "inesquecíveis", como o encontro com 300 elefantes asiáticos no Parque Nacional Minneriya, monumentos budistas construídos há milhares de anos, e a viagem de trem por meio das plantações de chá e das montanhas do país.

O número de turistas no Sri Lanka cresceu significativamente desde o fim do conflito que durou 26 anos, passando de 447 mil pessoas em 2009 para um recorde de 2,1 milhões no ano passado -- uma realidade que as autoridades de turismo do país esperam dobrar até 2020. Reformas feitas no sistema ferroviário abriram novas regiões para o consumo dos visitantes, como Jaffna e muitas partes do Norte do país, que eram consideradas perigosas mesmo para os cidadãos locais.

As rotas cênicas de trem no Sri Lanka são consideradas hoje algumas das melhores do mundo, mas estradas também foram construídas ligando regiões como Matara, ao Sul. O número de ligações por passagens aéreas também cresceram nos anos recentes: da capital Colombo, na costa leste, até o outro lado da ilha, na cidade de Batticaloa, os voos duram apenas 45 minutos.

Houve também um grande investimento em novas acomodações para os visitantes: de pousadas até estruturas ecologicamente responsáveis, como os prédios construídos no Parque Nacional Yala. Redes hoteleiras internacionais, como Shangri-La, Mövenpick, Sheraton e Grand Hyatt, estão erguendo filiais no Sri Lanka desde o início dos anos 2010.

A cena de surf do Sri Lanka tem crescido significativamente à medida em que o litoral do país vai se tornando mais acessível. Algumas agências de viagens já oferecem roteiros com escala de montanhas, mergulhos e sessões de yoga com tratamentos tradicionais de Ayurveda. Há ainda uma série de atrações gratuitas, como os coloridos rituais puja no topo da falésia de Kaneswaran Kovil, em Trincomalee, no Nordeste, o grande mercado de Pettah, na capital Colombo, e as muralhas fortificadas ao redor da antiga cidade colonial de Gale, ao Sul.

Embora o número de turistas em relação à população seja pequeno comparado a países em que o excesso de visitantes é uma questão maior, alguns conservadores expressaram preocupação com a velocidade do desenvolvimento em certas áreas.

"O turismo é o maior gerador de renda do país. Infelizmente, muito do nosso turismo é focado no número de visitantes ao invés do investimento que eles fazem no Sri Lanka", disse Asha de Vos, bióloga marinha e fundadora da organização de conservação oceânica do país, Oceanswell, ao jornal francês Le Monde.

"Para acomodar o número de turistas, nós estamos construindo mais hotéis e infraestrutura e, consequentemente, destruindo espaços naturais. A pressão sobre nossas áreas verdes e nossos lugares culturais é imensa e destrutiva. Esse desenvolvimento avassalador é contínuo e não tem fim -- e, por falta de organização e planejamento, muitos hotéis acabam ficando vazios. Portanto, embora o turismo tenha suas coisas positivas, se feito de forma preguiçosa e sem planejamento, só vai destruir os muitos recursos que atraem as pessoas", completou.

Ela ainda afirma que o desenvolvimento da estrutura do país para os estrangeiros está afetando áreas costeiras e parques nacionais em particular, onde a capacidade de visitas está excedendo nas estações quentes, levando a um aumento da poluição com lixo que não é descartado corretamente.

Ela acredita que o turismo no Sri Lanka pode ser benéfico, mas diz que o governo precisa regular, educar, ter uma visão de longo prazo e proteger áreas do desenvolvimento apressado. "A sustentabilidade precisa estar no centro de qualquer produto turístico que é criado". Entidades de direitos humanos também criticaram o crescimento em larga escala do turismo no Sri Lanka pelos seus impactos negativos nas vidas das pessoas locais.

A lista Best in Travel, do Lonely Travel, ranqueia dez países, cidades e regiões, além de outras experiências de viagem para o ano seguinte, baseada em análises de sua equipe -- que inclui editores e colaboradores ao redor do mundo. No documento de 2019, a Alemanha aparece na segunda colocação, com vistas ao centenário da Bauhaus, e o Zimbábue -- onde os turistas estão voltando depois da renúncia do ex-presidente Robert Mugabe -- ficou na terceira colocação.

Copenhague, capital da Dinamarca, Shenzhen, na China, e Nova Sad, na Sérvia, foram listadas como as melhores cidades para se viajar em 2019, enquanto as tendências de viagem incluem o turismo de céus escuros (com um aumento de ofertas de lugares para apreciar eclipses solares) e rotas feitas com carros elétricos, graças ao aumento de companhias de aluguel oferecendo alternativas aos veículos movidos à combustíveis derivados de petróleo.

Em 2016, a Lonely Planet elegeu o Canadá, seguido da Colômbia e da Finlândia como os países para conhecer em 2017, assim como Bordeaux, na França, Cape Town, na África do Sul, e Los Angeles, nos EUA, como as cidades. No ano passado, o Chile foi o país escolhido pela lista, seguido pela Coreia do Sul e por Portugal.

Dez países para se conhecer em 2019, segundo a Lonely Planet, em ordem:

  1. Sri Lanka (Ásia)
  2. Alemanha (Europa)
  3. Zimbábue (África)
  4. Panamá (América Central)
  5. Quirguistão (Ásia Central)
  6. Jordânia (Oriente Médio)
  7. Indonésia (Ásia)
  8. Belarus (Europa)
  9. São Tomé e Príncipe (África)
  10. Belize (Caribe)

Dez cidades para se conhecer em 2019, segundo a Lonely Planet, em ordem:

  1. Copenhague, Dinamarca
  2. Shenzhen, China
  3. Nova Sad, Sérvia
  4. Miami, Estados Unidos
  5. Kathmandu, Nepal
  6. Cidade do México, México
  7. Dacar, Senegal
  8. Seattle, Estados Unidos
  9. Zadar, Croácia
  10. Meknès, Marrocos

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