AVC volta a ser a principal causa de morte após pandemia

Com sintomas súbitos e a necessidade de tratamento imediato para reverter as sequelas, o acidente vascular cerebral (AVC), ou popularmente conhecido como derrame, faz vítimas em todas as idades e sua causa está relacionada à falta de circulação de sangue no cérebro. De acordo com dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil do Brasil e da Sociedade Brasileira de Neurologia, por conta do recuo da pandemia da Covid-19 nos primeiros meses do ano, o AVC voltou a ser a primeira causa de morte no Brasil.

Em todo o Brasil foram 87.518 óbitos, de janeiro a início de outubro deste ano, o equivalente a 12 mortes por hora. Neste mesmo período o infarto vitimou 81.987 pessoas e a covid-19, 59.165 cidadãos, fazendo com que o AVC seja a principal causa de óbitos no país.

A neurologista do Hospital Santa Cruz/Rede D’Or, Kristel Back Merida (CRM-PR 31840 / RQE 23462), alerta que uma em cada quatro pessoas terá um AVC no decorrer da vida. “O AVC é uma doença neurológica grave, que pode acometer todas as faixas etárias e está associada a fatores de risco que são tratáveis e podem evitar a doença”, destaca a médica ao informar que 80% dos AVC são evitáveis, de acordo com estudo publicado pelo Centers for Disease Control and Prevention.

A hipertensão está entre os principais fatores associados ao AVC. “Controlar doenças já diagnosticadas e manter uma vida saudável é o principal método de prevenção”, lembra a neurologista que ainda destaca a obesidade, colesterol alto e diabetes como outros fatores de risco preocupantes e que precisam ser tratados para minimizar as chances de um AVC.

O acidente vascular cerebral se manifesta de duas diferentes formas. O AVC isquêmico, mais comum, está associado aos casos em que há o entupimento de vasos sanguíneos, devido a um coágulo vindo do coração ou placas de gordura que desgrudam de artérias do corpo. Já no AVC hemorrágico, o paciente apresenta um rompimento dos vasos do cérebro, causando sangramento que pode gerar um aumento grave da pressão dentro do cérebro. Os principais motivos para essa ruptura estão ligados a hipertensão arterial, diabetes, aneurisma e malformações vasculares. “Em ambos os casos os sintomas apresentados são súbitos e precisam de cuidados imediatos para reverter o quadro. É nas primeiras horas que fazemos o tratamento agudo, seja através de cirurgias ou medicamentos que dissolvam o trombo, minimizando as chances de sequelas. Quanto antes tratado, maiores as chances de sucesso. Por isso que no AVC cada minuto importa”, apresenta a médica.

Os principais sintomas de um AVC são apresentados quando, de forma repentina, há dor de cabeça forte, descrita como “explosiva”, perda da visão de apenas um olho, perda de força de um lado do corpo, paralisia facial, dificuldade para falar ou fala enrolada, tontura e perda de equilíbrio intensos.

 “Geralmente, os sintomas do AVC são intensos e repentinos. Nesse momento, três testes podem ajudar a revelar a urgência de procurar um atendimento médico. Primeiro, pedir para a pessoa sorrir, e verificar se os dois lados da boca se mexem simetricamente. Segundo, pedir para que a pessoa levante os braços como se fosse dar um abraço e verificar se há fraqueza em um dos lados. E terceiro, pedir para que ela cante uma música ou diga uma frase, nesse momento é importante avaliar a fala, tanto se o conteúdo faz sentido, quanto se há dificuldade na articulação das palavras (fala enrolada). Se algum desses pequenos testes forem alterados, procure imediatamente um pronto socorro”, aconselha a neurologista.

O tratamento acontece logo após o diagnóstico do paciente, dependendo do tipo do AVC  e do tempo que o paciente chega no hospital. Geralmente é feito com medicamentos e sempre conta com auxílio de uma equipe multidisciplinar, envolvendo neurologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. “Além do tratamento para diminuir os sintomas do AVC no corpo, iniciamos uma busca pelas possíveis causas do AVC, como arritmias, excesso de gordura nas artérias e hipertensão, por exemplo. Em jovens, é comum causas genéticas porém fatores relacionados a tabagismo, drogas recreativas, esteroides e hormônios também podem levar a quadros graves da doença”, finaliza a neurologista.