Paraná soma mais de sete mil negócios ligados ao setor pet

Marcelo Morato nasceu para ser médico veterinário. Ele conta que quando a professora da primeira série perguntou “o que você quer ser quando crescer?”, prontamente respondeu: “Veterinário!”. Nascido em Cascavel, cidade em que reside até hoje, Marcelo também é empreendedor. Ele é sócio proprietário de sete negócios ligados ao mercado pet. Um deles é hospital veterinário que possui área de quase 1.000 m² construídos e dispõe de equipamentos de última geração para realização de exames, uma equipe especializada, com oncologistas e dentistas, para atendimento de urgências e emergências de animais de pequeno porte e até um banco de sangue. Além de Cascavel, o município de Toledo também possui uma unidade do hospital.

No Paraná, atualmente, há 7.044 negócios ligados ao segmento pet, um crescimento de 245,29% se comparado ao ano de 2013, quando havia 2.040 negócios. Desse total, segundo um levantamento feito pelo Sebrae com base nos dados da Receita Federal, 3,6 mil, ou seja, 51,4% são de microempreendedores individuais (MEI) que atuam com comércio varejista de animais vivos e de artigos e alimentos para animais de estimação ou de medicamentos veterinários.

Além do hospital, Marcelo também é proprietário é de uma pet creche no shopping da cidade. No espaço, os bichinhos podem aproveitar um parquinho de diversão e saborear deliciosos sorvetes desenvolvidos especialmente para eles enquanto seus donos aproveitam para passear no centro de compras.

“O crescimento deste mercado está ligado à mudança de comportamento das pessoas. Antigamente, cães e gatos eram animais que viviam fora das casas, mas há algum tempo eles passaram a fazer parte das famílias e começaram a viver dentro das casas, subir nos sofás, dormir junto nas camas”, conta Marcelo.

Esse crescimento também é nacional. No Brasil, são aproximadamente 83,4 mil negócios ligados ao segmento pet, o que representa um crescimento de 363% se comparado a 2012, quando haviam 18 mil. Do total, 6,4 mil, ou seja, 78%, são MEI. Para se ter uma ideia, entre os anos de 2020 e 2021 foram criados cerca de 22,9 mil CNPJs ligados ao mercado pet, o que corresponde a cerca de 27% do total existente.

Com a pandemia, essa tendência tornou-se ainda mais comum, é o que explica a consultora do Sebrae em Cascavel, Angélica Weirich, que tem um pet. “As pessoas começaram a se sentir muito sozinhas no período de isolamento social, então perceberam que a importância e a necessidade da companhia dos bichinhos de estimação”, enfatiza.

Empreendedor no ramo há 22 anos, em Ponta Grossa, Mário Celso Schactai é sócio proprietário do Amigão Pet Shop. Ele acredita que o ‘boom’ do setor ocorreu em 2015 e se intensificou com a pandemia da covid-19. “Foi o período que os pets começaram a ser vistos como membros da família”, comenta. Para acompanhar o ritmo e a demanda do mercado, a empresa aposta na diversificação de produtos e serviços. Nas três lojas – onde atuam mais de 15 funcionários – os clientes encontram farmácia veterinária, clínica veterinária, serviços de banho e tosa, brinquedos, acessórios e utensílios para pets.

Com a concorrência no mercado, conforme o empresário, buscar diferenciais é fundamental para sair na frente. “Treino meus funcionários para que eles conheçam os produtos que estão vendendo e para que o atendimento seja o melhor possível. Ofereço clube de descontos para clientes cadastrados no nosso sistema, participo de eventos para saber quais são as novidades do mercado e invisto em inovação e divulgação”, conta. Nos empreendimentos, os funcionários também têm liberdade de opinar sobre o que pode ser aperfeiçoado e oferecer novas ideias.

Outro exemplo positivo do crescimento desse segmento é o da Karina Stefany Moreira de Sousa, de Maringá, que entrou para o mercado pet em maio de 2021. Assim que deixou o emprego para cuidar das filhas, ela e a mãe pesquisaram sobre o setor, que já despertava interesse, e colocaram a mão na massa. Parentes e amigos foram os primeiros clientes do negócio, que engatou após a participação em uma feira de artesanatos em um parque da cidade.

Os itens fabricados são pronta-entrega ou sob medida, entre eles cama, peitoral com guia, roupas, bonés, laços, bandanas, tapetes e, em breve, brinquedos e comedouros. O principal canal de vendas e divulgação é o Instagram. Karina conta que procurou o Sebrae Paraná para buscar orientações, a fim de estruturar melhor a empresa.

“As pessoas têm seus pets como membros da família, seus filhos e querem o melhor para os bichinhos. Mas antes de investir, digo que é preciso estudar e fazer cursos na área”, comenta a empreendedora.

Investimento e tendências

O crescimento do setor exige investimentos. Em Ponta Grossa, foi criado um sistema que consegue rastrear produtos nas três lojas. “Se o cliente nos procura e não encontra determinado produto, conseguimos rastrear através do sistema em qual das lojas temos o produto. Com isso, evitamos de o cliente procurar a concorrência”, comenta Mário. Além disso, a frota de veículos foi caracterizada – que ajuda a divulgar a empresa -, e o sistema de banho e tosa recebeu melhorias. As redes sociais também são a aposta da empresa, que investe em mídia desde a concepção do negócio.

Sobre o que esperar para este mercado, Marcelo, de Cascavel, acredita que a tendência é continuar crescendo, e conta sobre o futuro da medicina veterinária. “Daqui para frente vamos ter um investimento muito grande em telemedicina, que já é regulamentada de veterinário para veterinário. A unidade de Toledo, por exemplo, pode fazer uma teleconsulta com os especialistas que temos na unidade de Cascavel para se utilizar do conhecimento que temos disponível aqui. Não posso abrir o celular e consultar um cachorro, mas se tiver um veterinário junto eu posso”, explica o empreendedor.

Marcelo conta que o Sebrae foi essencial para desenvolver seu plano de negócios. “Tivemos consultoria, montamos nosso plano de ação, e no nosso planejamento financeiro, que tínhamos uma meta para bater em um ano, alcançamos em dois meses”.

O Sebrae Paraná também oferece atendimento inicial tanto nos escritórios quanto nos pontos de atendimento, onde os interessados podem obter informações de como se inserir no mercado, entender as variáveis do negócio para obter sustentabilidade econômica.

“Esse serviço está disponível em todas as regiões do estado, pois esse mercado é muita amplo e segue em crescimento. Hoje, se fala em alimentação natural para pets, há empresas especializadas em festas de cachorro que prepara kit de festas com alimentos pet, com bolo de ração, tem fotógrafos especializados somente no setor de pets, especialistas no comportamento animal, e uma infinidade de acessórios, como capa de chuvas, meias, tapetes gelados, entre tantos outros”, afirma a consultora Angélica.