Conheça os fatores de risco e como prevenir o AVC

Nesta sexta-feira (29), Dia Mundial do AVC, o Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba) alerta a população sobre os fatores de riscos, causas e prevenção ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Nos últimos anos, a instituição promove ações de conscientização sobre o tema. Neste dia, a ambulância do INC passará por parques, praças e shoppings de Curitiba, levando informações sobre prevenção e fatores de riscos do AVC, um dos principais responsáveis por gerar incapacidade em populações em todo o mundo.

A doença é ainda mais severa com a população feminina. Mulheres, de todas as faixas etárias, correm mais riscos de sofrer um AVC do que os homens, isso porque elas têm mais fatores de riscos como diabetes, arritmia cardíaca, enxaquecas e depressão. “Por isso aproveitamos esse mês de outubro, que tradicionalmente é um mês de alerta para a saúde da mulher para falar do AVC também. Não é só com o câncer de mama que as mulheres devem se preocupar. É muito importante entender quais são os fatores de risco e agir de modo preventivo”, reforça a neurologista e diretora Clínica do INC, Vanessa Rizelio. Ela também informa que um AVC isquêmico ocorre quando uma artéria que irriga o cérebro é obstruída por um coágulo, causando a destruição dos tecidos cerebrais.

Mas por que a doença parece preferir mulheres, ou se mostra mais presente entre elas? Uma das respostas pode estar no ciclo hormonal. Segundo a neurologista, na mulher jovem, o risco de AVC pode estar aumentado pela presença de alguns hormônios que facilitam a coagulação do sangue, como os anticoncepcionais hormonais. Se associado a outros fatores ou doenças pré-existentes, este risco pode aumentar ainda mais na gravidez e no puerpério, que é a fase após dar a luz em que os hormônios voltam a se estabilizar. Além disso, as mulheres também tem maior prevalência de enxaqueca com aura, que também está associada a um maior risco de doença cerebrovascular.

Carga hormonal e obesidade

De acordo com a médica, a mulher está sujeita a exposição hormonal, e isso pode ser um fator de risco para algumas doenças cerebrovasculares, sobretudo nas fumantes, obesas. Nessa lista estão também as que fazem terapia de reposição hormonal ou as que têm enxaqueca com aura (com sintomas que “anunciam” a enxaqueca, que podem ser alterações na visão ou anormalidades de sensibilidade).

A diabetes e a hipertensão também são fatores de risco para o AVC, pois a hiperglicemia pode danificar vasos, nervos e órgãos. Segundo a American Heart Association, 16% dos adultos com mais de 65 anos que são diabéticos morrem de AVC e 68% morrem de alguma doença cardiovascular.

Uma boa notícia é que uma pesquisa de 2019 realizada pelo Ministério da Saúde revelou que, nos cinco anos anteriores, houve queda de 11% na taxa de mortalidade por AVC entre mulheres de 30 a 69 anos. Entre as observações feitas pelos pesquisadores, o resultado sinaliza que as campanhas de prevenção do AVC podem surtir efeito positivo.

Outra doença que é mais comum entre mulheres e está relacionada à obesidade é a hipertensão intracraniana idiopática. A incidência é de uma a cada 100 mil mulheres com peso normal e de 20 para cada 100 mil entre mulheres obesas. Essa condição ocorre quando a pressão dentro do crânio aumenta sem motivo aparente. Os sintomas incluem dor de cabeça, dor atrás dos olhos, zumbidos nos ouvidos, episódios breves de cegueira ou visão embaçada.

Itinerário

Nos períodos da manhã e da tarde desta sexta-feira, a ambulância do Hospital INC vai percorrer um itinerário que prevê paradas no Parque Barigui, Shopping Pátio Batel e na Praça Dezenove de Dezembro (Praça do Homem Nu), no Centro de Curitiba. Enfermeiros participarão desse trabalho que busca falar sobre os principais sintomas e também as causas do AVC: má alimentação, sedentarismo, obesidade ou sobrepeso, diabetes, hipertensão, alcoolismo e tabagismo.

Dentre as ações preventivas para evitar o AVC estão exercícios regulares de, no mínimo, 150 minutos por semana, dieta saudável e balanceada, consumo moderado de bebida alcoólica, tratamento da pressão alta, peso saudável e ausência total do consumo de tabaco.