Diagnóstico de endometriose, doença da cantora Anitta, pode levar dez anos

Fortes dores, que chegam a ser incapacitantes. Esse é um dos sintomas da endometriose, relatado pela cantora Anitta, que teve o diagnóstico após nove anos sem saber as. De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Endometriose, estima-se que 8 milhões de brasileiras sofrem com o problema, sendo que o tempo para descobrir a doença costuma ser de, em média, dez anos.

O cirurgião oncológico do Hospital São Vicente Curitiba, Dr. Fábio Fin explica que um dos motivos para a demora na identificação do diagnóstico é que as queixas da endometriose podem ser confundidas com outras enfermidades. “Os sintomas mais comuns são cólicas menstruais, às vezes uma cólica exagerada que pode ser fora do ciclo menstrual, dor na relação sexual, dores ao urinar ou ao evacuar e que pioram no período menstrual. Infertilidade também é uma queixa muito frequente das mulheres e alguns sintomas mais vagos, como fadiga, cansaço, diarreia e inchaço abdominal. São muitos sinais e a investigação pode não ser tão rápida”, esclarece.

As dores e outras complicações sentidas dependerão da localização da inflamação provocada pela doença. A endometriose ocorre quando as células do endométrio, camada que reveste internamente a cavidade uterina e descama durante o período menstrual, deslocam-se para outras partes do corpo, o que acaba gerando inflamações.

“Quando essas células estão próximas da bexiga ou parede vesical os sintomas se assemelham aos de uma cistite. Quando elas estão no fundo vaginal pode ocorrer dor na relação sexual. Já se essas células do endométrio se movem para o intestino, acontecem alterações do hábito intestinal. Então, dependendo de onde essas células ficam fora do útero, podem ter determinados sintomas”, diz.

A diminuição da fertilidade é outra complicação da endometriose e pode ocorrer devido às alterações anatômicas no ovário, tuba uterina e útero causadas pela inflamação crônica na pelve. “Muitas vezes, a infertilidade é uma das indicações de cirurgia, assim como quando a paciente tem endometriose profunda, que é quando as células que saem do útero acabam infiltrando a bexiga, os ligamentos úteros sacros, que é onde passa toda inervação da mulher, e fundo vaginal e intestino”, detalha Dr. Fábio Fin.

O cirurgião ressalta que existem ainda outros tipos de tratamentos, incluindo medicamentosos. Mas, a escolha é individualizada, em consenso com a paciente, e depende de cada caso. A intenção é sempre diminuir ou melhorar os sintomas e auxiliar a manter a fertilidade. “A readequação alimentar e práticas de atividades físicas também são importantes para que a mulher tenha um tratamento mais efetivo”, afirma o cirurgião oncológico.

Endometriose pode virar câncer?

Embora exista a possibilidade da endometriose evoluir para um câncer, as chances são bem pequenas. “Não é comum a endometriose virar um câncer. Mas, as mulheres que fazem tratamento para engravidar devem ser acompanhadas por um especialista, pois nesses casos pode existir um aumento do risco da lesão se tornar um câncer”, orienta Dr. Fábio Fin.