Será que tenho mau hálito?

Imagine a cena: você está se divertindo e conversando com amigos, mas percebe que as pessoas à sua volta mexem no nariz, dão um passo para trás e até fazem cara feia enquanto você fala. O que você deduziria? Diante de situações assim, muita gente acreditaria estar com o temido mau hálito. Mas ao invés de confirmar o problema, questionando a ação de uma pessoa de confiança, a maioria tenta resolver a suposta halitose sozinha, até se isolando do convívio daqueles que poderiam ser apoio.  

Desconfiar que tem mau hálito e sofrer sozinho com a dúvida é uma condição mais comum do que se imagina, já que a halitose atinge cerca de 32% da população mundial. “A halitose ou mau hálito é uma condição anormal dos odores expirados pelos pulmões, boca e narinas, que se alteram de forma desagradável. No Brasil, pesquisas revelam que aproximadamente 30% da população sofrem com o problema, que é cerca de 50 milhões de pessoas. A halitose não é uma doença, mas pode denunciar a ocorrência de alguma patologia, problema de saúde ou alteração fisiológica. É um sinal de que algo no organismo está em desequilíbrio”, explica a cirurgiã-dentista Claudia Gobor, diretora executiva da Associação Brasileira de Halitose (ABHA).

O problema tem inúmeros efeitos negativos na vida das pessoas. Ainda segundo Claudia, a insegurança e o isolamento social, resultando em transtornos psicológicos, são alguns deles, muitas vezes afastando o indivíduo do convívio social, afetivo e profissional. “Na maioria dos casos, a pessoa desenvolve ansiedade, depressão, alcoolismo, baixa autoestima, hábitos deletérios, como escovação excessiva dos dentes, limpeza exagerada da língua, e se torna dependente das gomas de mascar e balas para disfarçar o problema”, conta. Outra consequência comum é a peregrinação médica, com gastos excessivos em exames que não detectam a causa. “Essa alteração está em 90% dos casos relacionada a algum transtorno bucal, como a baixa salivação, doenças bucais ou até uma dieta desequilibrada, devendo ser identificada através de um correto diagnóstico e tratada adequadamente. É por isso que o cirurgião-dentista qualificado em halitose deve ser o primeiro profissional a ser buscado. Então aí, se necessário, o tratamento poderá ser multidisciplinar, envolvendo outras especialidades.”

A diretora executiva da ABHA ainda destaca a chamada halitose subclínica ou subjetiva, que ocorre quando há ausência de mau cheiro na boca, mas o paciente sente uma distorção do olfato e do paladar, que o fazem acreditar que tem mau hálito, quando na verdade não tem. “Não somos bons avaliadores do próprio odor. O olfato se adapta a qualquer cheiro, o que chamamos de fadiga olfatória. É o mesmo caso quando usamos um perfume há muito tempo e não nos damos conta mais do cheiro. E fazer essa avaliação a partir das reações das pessoas só serve para alimentar as inseguranças. A única forma de saber se você está ou não com o hálito alterado é perguntado”, afirma a profissional qualificada em halitose.  

Campanha

Questionar alguém de confiança é, inclusive, o tema da Campanha Nacional de Combate ao Mau Hálito 2022: Mau Hálito: Na Dúvida, Pergunte!. Promovida pela ABHA a partir do dia 22 de setembro, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Mau Hálito, a ação acontecerá em todo país até 25 de outubro, dia em que se celebra o Dia Nacional do Cirurgião-Dentista. “Nosso intuito é incentivar as pessoas a, sempre que tiverem dúvidas, pergunte para os entes de seu convívio. Com a resposta, elas podem buscar tratamento. As ações também vão informar a população sobre a saúde do hálito, sobre diagnóstico de halitose e prevenção, além de conscientizar de que mau hálito tem sim tratamento, que deve ser feito com o profissional correto, o cirurgião-dentista”, finaliza Claudia. A campanha prevê palestras e ações sobre adequação dos hábitos diários para manutenção da saúde bucal e informações sobre tratamento direcionado, que possam tranquilizar o paciente.