Endividamento atinge 79,3% das famílias brasileiras em setembro

O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) foi de 79% a 79,3% de agosto para setembro, de acordo com Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada nesta segunda-feira (10) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

É o terceiro crescimento mensal consecutivo no índice e o menor desde abril. Em setembro do ano passado, o percentual era de 74%. A pesquisa é feita mensalmente desde janeiro de 2010. Segundo a CNC, os dados são coletados nas capitais e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

De acordo com o presidente da entidade, José Roberto Tadros, “é possível verificar que a melhora gradual do mercado de trabalho, as políticas de transferência de renda e a queda da inflação nos últimos dois meses são fatores que geram maior disponibilidade de renda para as famílias “.Por outro lado, podemos observar que o alto nível de endividamento e os juros elevados afetam, sobremaneira, o orçamento das famílias de menor renda, ao encarecerem as dívidas já contraídas”, complementou.

A nova edição da pesquisa mostra que 80,3% das famílias com renda inferior a dez salários mínimos, atualmente em R$ 1.212,00, estavam endividadas no último mês – alta de 0,4 ponto percentual (p.p.) frente a agosto e o maior patamar da série histórica do levantamento. Em comparação com o nono mês de 2021, houve uma alta de 5 p.p. Já dentre as pessoas com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento atingiu 75,9% no último mês, mesmo percentual de agosto e 7 p.p. superior ao de setembro do ano passado.

Dentre o total de famílias que relataram que tinham dívidas a vencer em setembro, 30% possuíam pendências em atraso, recorde na série histórica. O índice cresceu 0,4 p.p. frente a agosto — a terceira alta consecutiva — e 4,5 p.p. ante o registrado no mesmo período do ano passado, sendo o maior crescimento anual desde março de 2016.

Nas palavras de Izis Ferreira, economista da CNC e responsável pela pesquisa, “embora os atrasos tenham crescido no mês e no ano entre os consumidores nas duas faixas de renda, as dificuldades de pagamento de todos os compromissos do mês são mais latentes entre as famílias de menor renda”. Dentre as famílias endividadas no mês passado, 85,6% possuíam dívidas a vencer no cartão de crédito (alta de 1 p.p. frente ao mesmo período do ano passado); 19,4%, nos carnês de lojas (+0,6 p.p.); e 5,2%, no cheque especial (+0,6 p.p).

Entre as mulheres, o percentual de endividados passou de 80% a 80,9% de agosto para setembro. Já entre os homens, houve uma queda de 78,3% para 78,2%. Houve crescimentos de 5,9 p.p. e 5,1 p.p. respectivamente, no último mês, em comparação com setembro de 2021.

Informações SBT News