Lula e Bolsonaro gastaram mais de R$ 50 milhões em anúncios no Google

A disputa eleitoral acirrada chegou à internet de um jeito nunca visto. Denúncias de fake news e de tentativa de compra de votos invadiram as redes sociais, e os candidatos fizeram um alto investimento nas plataformas digitais.

Um bombardeio de informações. São tantas que chegam a confundir. “A gente não consegue checar tudo o que acontece, entender tudo o que acontece”, afirma Joyce Martins, professora de ciência política da Universidade Federal de Alagoas.

Para Joyce, o uso da internet pelas campanhas de Lula e Bolsonaro foi estratégico, e o investimento, alto: os candidatos gastaram mais de R$ 50 milhões só no Google, segundo a plataforma. O candidato do PL gastou R$ 27,9 milhões, enquanto o petista gastou R$ 22,8 milhões.

“Esse alto investimento vem, sem dúvida, da crença que a internet é um fator determinante do voto da brasileira e do brasileiro”, diz Joyce.

Tão determinante que virou um vale-tudo, como explica o sociólogo Gabriel Rossi, professor de marketing da ESPM: “foi de fato uma guerra, que é retrato da própria sociedade brasileira, a comunicação política não funciona sozinha, ela acaba reverberando todo o contexto social do momento, contexto político. Aí nós vimos uma divisão, uma polarização, um Fla-Flu, um Corinthians contra São Paulo”. 

As fake news sempre existiram, mas, hoje, o acesso à tecnologia e a velocidade com que as informações chegam a um número cada vez maior de pessoas facilitam a propagação de notícias falsas. É um caminho sem volta que, na opinião de especialistas, pode representar uma ameaça à sociedade.

“É especialmente um problema para democracia, que depende de um debate de argumentos, um debate um pouquinho mais racional e da verdade”, diz Gabriel Rossi. 

Desde o início da propaganda eleitoral, em agosto, foram encaminhados 22.667 alertas de fake news para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Divulgar fatos inverídicos sobre partidos políticos ou candidatos é considerado crime com pena de até um ano de prisão.

Outro problema encontrado nessas eleições foi o aumento de casos de assédio eleitoral, que também vai contra a lei. O número de empresas denunciadas aumentou 1.987%.

No Pará, um empresário foi multado em R$ 150 mil por oferecer dinheiro aos empregados que votassem em Bolsonaro.

Em Santa Catarina, um exemplo de propaganda eleitoral irregular. O parque Beto Carrero World oferece desconto para os visitantes que vestissem vermelho no dia da eleição. Após a repercussão, Beto Carrero disse que a promoção era uma piada.

“Nós sabemos que o assédio eleitoral aumentou porque também aumentaram as denúncias de assédio. Isso também foi veiculado pelas redes sociais, então elas são um instrumento que também podem ser usadas a favor da democracia”, afirma Joyce Martins.

Informações SBT News