Apesar de apoio à Ucrânia, UE se divide sobre energia da Rússia

A aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ofereceu à Ucrânia mais assistência militar e destacou mais tropas para seu flanco oriental nesta quinta-feira (24), enquanto Reino Unido e Estados Unidos impuseram novas sanções à Rússia em uma demonstração de união do Ocidente contra a guerra russa na Ucrânia.

Líderes da Otan, G7 e UE que se reúnem em Bruxelas, no entanto, não chegaram a satisfazer os pedidos do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, por um aumento significativo do auxílio militar e por sanções mais duras contra o presidente russo, Vladimir Putin.

A União Europeia discutiu sobre cortar ou não as ligações energéticas da Rússia com a Alemanha, principal opositora a um embargo, embora líderes da Otan tenham concordado em ajudar a Ucrânia a se proteger contra ataques químicos, biológicos ou nucleares.

Uma autoridade norte-americana disse que Washington e seus aliados também estão trabalhando para oferecer a Kiev mísseis de defesa marítima.

O Reino Unido aplicou sanções a mais credores russos e os Estados Unidos destinaram suas medidas contra dezenas de empresas russas do setor de defesa e a membros da elite do país. Se pronunciando aos 27 estados-membros, a Letônia exigiu uma proibição às importações de energia russa.

“As sanções energéticas são uma maneira de interromper o fluxo de dinheiro para os cofres da guerra de Putin”, disse o primeiro-ministro da Letônia, Arturs Karins.

“Os setores mais lógicos para agir são os de petróleo e carvão. Precisamos parar Putin. Se não impedirmos Putin, Putin não vai parar”, acrescentou.

A liderança da Estônia optou pelos setores de petróleo e gás para impedir que a receita das vendas energéticas financiem a guerra. Mas o bloco não recebeu o apoio unânime para realizar novas sanções.

O primeiro-ministro de Luxemburgo disse que o bloco precisa manter algumas opções abertas caso a crise se agrave, e seu equivalente holandês disse que nenhuma das sanções seria acordada nesta quinta-feira.

A UE tem reduzido sua dependência em energia russa muito lentamente, e o setor tem sido amplamente excluído das sanções. Não fosse por essa brecha nas medidas, a Rússia estaria praticamente isolada do comércio mundial.

É esperado que os líderes europeus, no entanto, concordem em reunião a comprar gás de maneira conjunta, esperando por um acordo com o presidente norte-americano Joe Biden para garantir suprimentos adicionais de gás natural liquefeito dos Estados Unidos.

O bloco já teve dificuldades para implementar sanções já definidas aos patrimônios de oligarcas russos que quase não foram afetados desde a invasão da Ucrânia.