Ministro pedirá uso racional de energia em rede nacional, dizem fontes

Por Rodrigo Viga Gaier e Ricardo Brito

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) – O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, às 20h desta segunda-feira, no qual pedirá aos brasileiros o uso racional de energia elétrica em momento em que o país sofre os efeitos de uma severa seca nos reservatórios das hidrelétricas, disseram duas fontes do governo com conhecimento do assunto.

Procurado, o Ministério de Minas e Energia confirmou o pronunciamento, mas disse que o conteúdo da fala não seria antecipado.

O país passa pela pior estação chuvosa para as hidrelétricas –principal matriz de energia brasileira– em 91 anos, o que levantou discussões sobre risco de um racionamento de energia no país, como o realizado há cerca de 20 anos.

“É para esclarecer e tranquilizar… para dizer que a situação é complicada, mas as medidas adotadas são suficientes para atravessarmos a estação seca”, disse uma das fontes, na condição de anonimato, sobre o conteúdo do pronunciamento.

O ministro tem dito que o governo não trabalha com hipótese de racionamento de energia em meio à crise hídrica, mas admitiu que, por conta de uma maior geração de eletricidade termelétrica, o consumidor pagará mais.

“Provavelmente será na linha do uso racional de energia. Não há com que se preocupar e não será bombástico ou mudança de rumo”, acrescentou uma segunda fonte.

Medidas como mudanças nas vazões dos reservatórios de hidrelétricas e o uso de energia termelétrica deverão permitir que o Brasil passe pela crise hidrelétrica de forma “segura”, na avaliação do governo.

As contas de luz no Brasil seguirão com bandeira tarifária vermelha patamar 2 no mês de julho, que prevê o maior custo adicional em momentos de menor oferta no sistema, informou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na sexta-feira.

O valor a ser pago pelos consumidores, porém, será informado somente na terça-feira, data em que a atualização dos valores das bandeiras será deliberada pela diretoria da Aneel, acrescentou a agência.

A bandeira mais custosa do sistema da agência já havia sido adotada em junho, até então com custo adicional de 6,243 reais para cada 100 kWh consumidos.

Na sexta-feira, a Aneel já recomendou ações relacionadas ao uso consciente e ao combate ao desperdício de energia, pedindo para consumidores tomarem banhos mais curtos e a diminuição ao máximo do uso de ar condicionado, entre outras.

(Reportagem de Ricardo Brito em Brasília e Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro)

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