Cárcere privado, tortura e maus tratos: mãe é presa suspeita de matar a filha em Curitiba

A mulher suspeita de torturar, queimar e matar a filha dentro de casa no bairro Cajuru, em Curitiba, foi presa na manhã desta quinta-feira (19) durante operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR). A vítima, que era deficiente intelectual, morreu no início de maio com indícios de maus tratos.

Otilia de Oliveira Braz foi encaminhada para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e vai responder pelos crimes de homicidio duplamente qualificado, tortura e cárcere privado. A suspeita nega as acusações: “Não sou uma assassina. Ela caiu da escada”. 

A Operação Quarto do Terror investiga não só a mãe, mas a vizinha da vítima, que segundo testemunhas, está envolvida no crime há mais de um ano. Otilia tem outras duas filhas com deficiência, além da vítima. 

O delegado Tito Barichello, da Polícia Civil, afirmou que a versão contada pela mãe da vítima não condiz com o que foi investigado. “Havia sangue na parte superior da casa, ou seja, ela foi empurrada ou caiu. As lesões no corpo estão espalhadas por toda a região, tem queimaduras e contusões, incondizentes com uma queda de escada”

“É um caso de tortura e maus tratos. O quarto está com características de cárcere privado, condições desumanas”, finaliza o delegado.

O caso

Uma mulher de 32 anos foi encontrada morta dentro de casa no início de maio no bairro Cajuru, em Curitiba. A mãe da vítima ligou para o Samu, alegando que a filha havia caído da escada após sofrer parada cardíaca. A equipe médica desconfiou dos ferimentos no corpo da mulher e ligou para a polícia. 

Durante a inspeção no local, os policiais verificaram que a situação em que se encontrava a residência indicava maus tratos à vítima. No dia seguinte, a Polícia Civil seguiu com a investigação e descobriu que Maria Salete de Oliveira Braz não morreu de causas naturais. Os ferimentos apontaram que a mulher teria sido torturada. 

A mãe da vítima, em depoimento, afirmou que a filha era deficiente intelectual e estava há dois meses na casa do pai, em outra cidade. Segundo a mulher, Maria Salete havia voltado para a casa no final da madrugada de 4 de maio tonta e com vários machucados no corpo. A versão foi descartada pela polícia após investigações.