Brasil lida com “inferno furioso de um surto” na pandemia, diz OMS

(Reuters) – O Brasil lida com um “inferno furioso de um surto” na pandemia de Covid-19, disse nesta sexta-feira o consultor sênior da entidade Bruce Aylward, acrescentando que a situação exige que a população adote medidas de saúde pública.

Aylward afirmou ainda que simplesmente não existem vacinas suficientes no momento para tentar reduzir o risco de disseminação do coronavírus no Brasil, apontando que pelo mecanismo de acesso a vacinas Covax, apoiado pela OMS, certamente não há essa disponibilidade imediata.

“A situação é realmente muito preocupante, o que está acontecendo no Brasil. Em termos de vacinas, o resultado final é… simplesmente não há vacina agora certamente disponível por meio do Covax para tentar ajudar a reduzir ainda mais o risco para as pessoas que tentam prestar serviços durante o surto lá”, disse.

Para o representante da OMS, o mais importante a fazer agora é recorrer a ações que comprovadamente podem desacelerar o vírus. Entre elas, ele citou a rápida identificação dos casos, isolamento imediato e quarentena das pessoas em risco.

“O que você está lidando aqui é um inferno furioso de um surto, e isso requer ação em nível de população na rápida identificação, isolamento e quarentena. Você tem que abordar isso nessa escala para desacelerar essa coisa”, disse.

“Então, embora de fato as vacinas que estão disponíveis e estão sendo usadas lá para proteger os trabalhadores essenciais sejam tão cruciais e a população mais velha… é um ponto discutível em termos de ser capaz de obter suprimentos adicionais lá. Mas o mais importante são as medidas que podem ser aplicadas em uma escala maciça que podem desacelerar essa coisa”, emendou.

Na quinta-feira, o Brasil bateu um novo recorde diário de mortos pela Covid-19, com 4.249 óbitos registrados em 24 horas.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o país tem 13.279.857 casos confirmados da doença e 345.025 pessoas morreram de Covid-19 no Brasil, país que está atrás apenas dos Estados Unidos em números totais de casos e mortos pelo coronavírus.

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