Variantes do coronavírus recebem novos nomes para evitar estigmas

Por Emma Farge

GENEBRA (Reuters) – Variantes do coronavírus com nomes alfanuméricos confusos estão recebendo letras do alfabeto grego para simplificar o debate e a pronúncia, e ao mesmo tempo evitar estigmas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou os nomes novos na segunda-feira, em meio a críticas de que aqueles dados por cientistas a linhagens como a variante sul-africana –conhecida por nomes como B.1.351, 501Y.V2 e 20H/501Y.V2– são complicados demais.

Desde que a pandemia começou, os nomes que as pessoas usam para descrever o vírus provocam polêmica. O ex-presidente norte-americano Donald Trump apelidou o novo coronavírus de “vírus chinês”, entre outros, provocando o receio de estar usando-os como uma arma política para atribuir a culpa a uma nação rival.

A OMS, que pede às pessoas que não usem a linguagem para induzir uma associação da Covid-19 a pessoas ou nacionalidades, também disse que elas devem evitar atrelar nomes de países a variantes emergentes.

As quatro variantes do coronavírus consideradas preocupantes pela agência da Organização das Nações Unidas (ONU) e conhecidas pelo público em geral como variantes sul-africana, britânica, brasileira e indiana foram rebatizadas de Alfa, Beta, Gama e Delta, respectivamente, de acordo com a ordem de sua detecção.

Outras variantes de interesse continuam pelo alfabeto.

“Embora tenham suas vantagens, estes nomes científicos podem ser difíceis de dizer e lembrar, e estão sujeitos a ser relatados com erro”, disse a OMS ao explicar a decisão.