Crise aumenta em até 32% a oferta de imóveis em leilões no Brasil

O alto número de desempregados, que atingiu a soma de 11,9 milhões no primeiro trimestre deste ano segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a alta da inadimplência das famílias, que chegou ao maior patamar dos últimos 21 anos em abril (28,6%), de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), fez subir o número de brasileiros perdendo seus imóveis.

De acordo com um levantamento exclusivo realizado pelo SBT News com casas de leilões ao redor do país, o número de imóveis que foram a leilão entre janeiro e abril deste ano cresceu em até 31,9% em relação ao mesmo período de 2019. O aumento médio nas leiloeiras consultadas foi de 22,5%.

De acordo com o diretor da Mega Leilões, Cacá Fernandes, a maior parte dessas propriedades são de pessoas que não conseguiram pagar o seu imóvel de moradia, contudo, também há casos de investidores que tiveram de entregar o bem.

“É algo que nós esperávamos em virtude do cenário econômico. Muitas pessoas ficaram desempregadas durante a pandemia e não conseguiram pagar o financiamento, isso reflete no crescimento atual. Apesar de os bancos terem negociado e alongado as dívidas, nem todos conseguiram colocar as contas em ordem. A projeção é que no segundo semestre esse percentual suba ainda mais”, afirma. 

Há quem aproveite a crise para encontrar boas oportunidades. O vendedor Alexandre Oliveira adquiriu recentemente um sobrado com mais de 60% de desconto em São Paulo. “Eu e a minha família estávamos buscando por uma compra neste perfil há muito tempo. Vamos precisar gastar com reforma, porque a casa estava abandonada há cerca de um ano. Tomei muito cuidado com o edital do leilão, neste caso o banco pagou todas as dívidas, além disso fiz uma análise de preço de mercado para saber se de fato valeria a pena realizar a compra”.

Especialistas orientam que é necessário tomar alguns cuidados antes de arrematar um imóvel. Apesar de ser possível encontrar boas opções de casas e apartamentos, com descontos que chegam a 70%, é importante se atentar às condições da propriedade, se precisa de reformas e se há dívidas ativas.

De acordo com o advogado Rodrigo Karpat,  da Comissão Especial de Direito Imobiliário da OAB Nacional, o primeiro passo antes de adquirir uma propriedade em leilão é verificar se este é de ordem judicial, quando há um processo legal para a expropriação do bem, ou extrajudicial, quando o banco retoma o imóvel de um comprador que tornou-se inadimplente, sem a necessidade de ir à Justiça.

“Quando é de ordem judicial, o comprador pode ter algumas dores de cabeça como ter de se responsabilizar pela saída do antigo dono. Por isso, é importante verificar o edital, entender se o bem tem dívidas. Algumas vezes o devedor ainda pode entrar com recursos para impedir a expropriação do bem”, explica.

Informações SBT NEWS