Diesel mais caro pode impactar tarifa no transporte público

Após a Petrobras aumentar o preço dos combustíveis, a população brasileira poderá ter um novo peso no bolso: o reajuste na tarifa das passagens do transporte público. 

A disparada de quase 25% do diesel deve elevar em quase 7% o valor da operação do sistema de transporte público coletivo. A estimativa é da Frente Nacional de Prefeitos (FNP). O combustível é responsável por 26,6% do custo do sistema, em média, afirma a entidade em nota divulgada à imprensa. Em 2021, antes da guerra na Ucrânia, a alta acumulada já era de 65,5%.

Diante do cenário, a FNP pede aprovação urgente do Projeto de Lei (PL) 4.392/2021, responsável por propor à União a responsabilidade da gratuidade oferecida aos idosos com mais de 65 anos, via Lei Federal. Na maioria das cidades, o custeio do sistema é feito apenas pelas receitas tarifárias.

Belém (PA) é uma das poucas cidades sem subsídio para o transporte e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) já afirmou haver a possibilidade do sistema “colapsar”, pois “a conta não fecha”. A população paga R$ 3,60 na tarifa. No entanto, com o novo reajuste, o custo da passagem deveria subir para R$ 5.

“A redução de passageiros pagantes transportados e os sucessivos aumentos de todos os custos da operação, aliados ao congelamento da tarifa durante quase três anos, estão inviabilizando a continuidade por haverem fulminado o equilíbrio financeiro das operadoras”, afirma o Setransbel em nota. 

Em Montes Claros, município em Minas Gerais, o preço passou de R$ 3,50 para R$ 3,75 já neste fim de semana. Em São Paulo, o valor ainda será mantido em R$ 4,40.

No entanto, o “congelamento” depende da aprovação de uma PL na Câmara dos Deputados, com previsão de repasse avaliado em R$ 5 bilhões da União às prefeituras, Estados e empresas de transporte para bancar a gratuidade dos idosos.

Diesel e gasolina pesam mais no bolso do brasileiro

Na semana passada, ainda foi anunciado o pesado reajuste da gasolina. O combustível subiu 18%. Agora, o preço médio de venda para as distribuidoras será de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro. Com o reajuste, motoristas tiverem de desembolsar mais de R$ 8 em postos pelo País. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Bahia é o estado com maior variação no montante pago, R$ 8,77, seguido por Rio de Janeiro, R$ 8,19, e Minas Gerais, R$ 7,99.

O preço médio de venda para o gás de cozinha também subiu e passará de R$ 3,86 para R$ 4,48 por quilo, equivalente a R$ 58,21 por 13kg, refletindo reajuste médio de R$ 0,62 por quilo.

Em nota, a Petrobras alegou ser necessário o reajuste para evitar o desabastecimento. O governo já notificou a estatal para explicar aumento no preço da gasolina.

Reflexo nos aplicativos de transporte

O novo valor já reflete na quantia paga por usuários de aplicativos de deslocamento. A Uber e a 99 afirmaram reajustar as tarifas das corridas a partir desta semana. A multinacional americana terá reajuste temporário de 6,5% nos preços, para ajudar os motoristas a lidarem com o pico de alta no custeio operacional, enquanto a chinesa promoverá correção de 5% por quilômetro rodado no ganho dos motoristas.

Informações de SBT News