Incidência de infarto é 7% maior em baixas temperaturas

Aumentou o número de mortes, em decorrência de infarto, na faixa etária de 30 a 49 anos. A pressão alta é um dos principais fatores. O frio também preocupa: a cada dez graus de temperatura mais baixa, o risco de infarto é 7% maior.

O taxista Marcelo Nascimento admite “nunca” ter a preocupação de medir a pressão. Mas todos deveríamos ter. A hipertensão é uma doença silenciosa que responde por 80% dos casos de AVC, acidente vascular cerebral, e por 60% dos de infarto, que a cada ano faz mais vítimas entre jovens. O jornalista Lucas Renan Bessel é um exemplo vivo, ainda bem. Infartou aos 34 anos. “Muita dor no peito, espalhada por todo a região do peito, depois subindo para os ombros e um formingamento na ponta dos dedos”, relembra.

O coração dele tinha uma artéria entupida. Após o infarto, ele recebeu um stent, dispositivo que restabelece a circulação. Agora o sangue passa. De 2019 a 2021, cresceu quase 40% o número de mortes por infarto entre pessoas na faixa de 30 a 39 anos. De 40 e 49, os óbitos também aumentaram, principalmente entre os homens. O médico Celso Amodeo, integrante da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica: “o jovem normalmente ele acaba dormindo menos, acaba tendo uma vida mais sedentária atualmente devido ao computador, videogames, essas coisas”. Também de acordo com ele, “se a pessoa tem consumo de álcool e fuma, são duas coisas que precisam ser tiradas”.

Ele recomenda ainda fazer atividade física e evitar “os alimentos industrializados e processados”. As baixas temperaturas, que castigam principalmente os moradores de rua nesta época do ano, aumentam não só o risco de infarto, mas também de outras doenças cardiovasculares. É preciso ficar atento aos sintomas. No frio, o corpo reage com uma vasoconstrição, ou seja, os vasos do sistema circulatório periférico – pernas, pés -, se contraem, ensina o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), em São Paulo, Fábio Henrique Rossi. “Que aí ele consegue manter o sangue nos órgãos nobres, cérebro, pulmão, coração e rins e consegue manter esses órgãos aquecidos, só que nessa situação aumenta muito a resistência vascular periférica, faz com que a frequência cardíaca e a pressão se elevem”, acrescentou.

Uma sequência que aumenta os episódios de infarto (30%) e derrame (48%). Os idosos têm maior propensão, mas mesmo os mais jovens submetidos a frio intenso podem ter o problema. Sinais de alerta: tremor, em primeiro lugar, e, numa fase mais avançada, confusão mental, às vezes sonolência profunda e até desmaio, de acordo com Rossi. Nessa situação, é preciso procurar abrigo, se agasalhar, tomar uma bebida quente, o que não inclui álcool, que pode até agravar a situação. A prevenção inclui mais do que estar abrigado do frio: tomar muita água, fazer exercício físico, ficar longe de cigarro e ter uma alimentação saudável”, segundo o presidente da SBACV em São Paulo.

Informações de SBT News