Castillo segue à espera no Peru e busca acalmar temores

Por Marco Aquino e Stefanie Eschenbacher

LIMA (Reuters) – O candidato socialista à Presidência do Peru Pedro Castillo, ex-professor e outsider político prestes a ser eleito presidente, tentou acalmar os temores de uma nação dividida após uma contagem de votos lenta mostrar que ele venceu o pleito de 6 de junho.

Castillo reivindicou a vitória na terça-feira, embora a sua rival de direita, Keiko Fujimori, tenha feito denúncias de fraude, com poucas evidências, e tentado anular votos. O órgão eleitoral do país ainda não confirmou o resultado.

“O povo peruano levantou a cabeça para dizer democraticamente que vamos salvar este país”, disse Castillo a apoiadores em festa, de uma varanda, no fim da terça-feira.

O crescimento abrupto de Castillo, 51, abalou o establishment político do Peru e pode ter um grande impacto na vital indústria mineradora do segundo maior produtor de cobre do mundo, com Castillo planejando fortes aumentos de impostos ao setor.

Na capital Lima, os temores se espalharam pela elite urbana pequena, mas poderosa da cidade pela eleição provável de um pouco conhecido esquerdista, cujo partido Peru Livre defende ideias marxistas que ele próprio buscou moderar em sua retórica.

“Não somos Chavistas, não somos comunistas, ninguém veio desestabilizar o país”, afirmou, ao rebater uma fala comum do partido e de apoiadores de Fujimori comparando-o ao ex-presidente esquerdista da Venezuela, Hugo Chávez.

“Somos trabalhadores, somos empreendedores e vamos garantir uma economia estável, respeitando a propriedade privada, respeitando investimentos privados e, acima de tudo, respeitando direitos fundamentais, como o direito à educação e à saúde.”

Castillo é um ex-líder sindical no norte rural do Peru.

Ele disse que eleitores em distritos ricos do país, que apoiaram Fujimori, teriam o mesmo peso e influência em seu governo do que aqueles dos “cantos mais distantes” do país, mais pobres e rurais que impulsionaram sua ascensão.

Fujimori prometeu na terça-feira continuar lutando para “defender a democracia do Peru”. Ela espera que os resultados a favoreçam uma vez que cédulas que seu partido está tentando anular fossem checadas, apesar de observadores afirmarem que a eleição foi limpa.

Castillo citou a incerteza dessas alegações e pediu que os peruanos “continuem vigilantes” por tentativas de desestabilizar a democracia do país. Pediu também que o órgão eleitoral “respeitasse a vontade do povo deste país”.

“Hoje à noite (terça-feira), não temos que ficar apenas felizes e alegres, mas também ter um grande senso de responsabilidade. Não vamos nos empolgar por ilusões ou fingimentos. Temos que ficar calmos porque a verdadeira luta começa hoje para acabar com grandes desigualdades”, disse.

Ele acrescentou que o Peru precisava se juntar para ir além do que se tornou a maior taxa de mortes per capita da pandemia de Covid-19 e curar fendas entrincheiradas de pobreza e desigualdade.

“Hoje é o momento de grande união do povo peruano”.