Qualidade do milho do Paraná piora e safra cairá mais; trigo aguarda chuva

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – As lavouras de milho segunda safra do Paraná, castigadas por uma seca, tiveram sua qualidade rebaixada novamente nesta terça-feira, apontou o Departamento de Economia Rural (Deral), que já trabalha com a expectativa de uma colheita menor do que as estimativas atuais, apesar de chuvas esperadas para esta semana.

O órgão da Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná, segundo produtor de milho do Brasil, apontou que agora 30% das lavouras estão em condição “ruim”, versus 27% na semana anterior, enquanto na safra anterior apenas 6% estavam nesta situação na mesma época.

O Deral ainda reduziu o índice de lavouras de milho segunda safra em “boas” condições para 25%, versus 28% na semana anterior –na mesma época do ano passado, 61% da área do cereal tinha a melhor avaliação.

Sobre as chuvas esperadas para esta semana, o analista do Deral Edmar Gervásio disse que ainda não é possível afirmar se serão “suficientes” para estancar perdas para o milho.

“Fatalmente a perda será maior que o último relatório, pois tem praticamente mais duas semanas sem chuvas significativas”, disse ele à Reuters.

Ao final de abril, o Deral reduziu a estimativa de segunda safra de milho 2020/21 para 12,23 milhões de toneladas, ante 13,38 milhões na previsão de março e 11,9 milhões no ciclo anterior, quando a área plantada havia menor.

O especialista evitou cravar um número para a produção do Estado, mas disse que a colheita da “safrinha” ficará abaixo de 12 milhões de toneladas.

“Confirmadas as chuvas, serão extremamente benéficas para milho. Na prática precisamos ver como será o volume e também se haverá recuperação das plantas”, comentou Gervásio.

Até o próximo domingo, as chuvas acumuladas devem atingir mais de 30 milímetros a leste do Estado, mas ficando entre 15 e 20 mm no centro e oeste paranaense, segundo dados da Refinitiv. O norte verá menos precipitações, em torno de 10 mm, no mesmo período.

Do total semeado no Estado, 17% da área está em frutificação e 37% em floração, fases em que a umidade é importante para determinar a produtividade, segundo o Deral, que aponta também 3% em maturação, 42% em desenvolvimento vegetativo, e 1% em germinação.

A área plantada com milho “safrinha” em 2020/21 no Paraná aumentou 8%, para quase 2,5 milhões de hectares, impulsionada por preços elevados, que se firmaram ainda mais diante das notícias de quebra de safra no Paraná e outros Estados do Brasil.

Na semana passada, indicador do preço do milho da Esalq superou 100 reis a saca pela primeira vez, também em função de uma firme demanda.

O Paraná já terminou de colher a primeira safra de milho e de soja.

TRIGO

Com relação ao trigo, essas chuvas, se confirmadas, deverão ajudar no plantio e no desenvolvimento da cultura no Estado, maior produtor do cereal do Brasil, onde os trabalhos estão mais lentos devido à seca, avalia o Deral.

Até o momento, o Estado plantou 9% da área projetada, alta de três pontos ante a semana anterior, mas está distante dos 17% vistos na mesma época do ano passado.

“Se as chuvas vierem, ajuda, tem lavoura plantada desde o começo de abril, essas estavam só esperando as chuvas para germinar”, disse Carlos Hugo Godinho, especialista em trigo do Deral.

Ele admitiu, contudo, que algumas áreas plantadas anteriormente já têm problemas de germinação.

“Estamos só com 3% em desenvolvimento vegetativo… Já deveria ter muito mais…. Tem lavoura que ainda não germinou”, declarou Godinho.

“Se vierem as chuvas, ameniza o atraso… ajuda com certeza as lavouras que foram plantadas agora, alguma coisa de germinação já deve ter prejudicado, e ajuda também a desenvolver e deslanchar o plantio, o produtor está bem ansioso para poder plantar”, afirmou, lembrando que o setor busca realizar o trabalho o quanto antes para evitar colheita em período chuvoso.

Godinho disse ainda que, se as chuvas forem muito fracas e gerarem uma germinação ainda mais desuniforme, “seria o pior cenário”.