Varíola dos macacos pode ser grave em crianças e imunossuprimidos

Apesar de ser tida como menos letal que a varíola comum, a explosão de casos da varíola dos macacos pelo mundo está causando preocupação entre especialistas e profissionais da saúde. Considerada endêmica em países do centro e oeste da África, a transmissão da doença em outros locais, como nações europeias, pode prejudicar principalmente crianças e pessoas imunossuprimidas. 

“O Monkeypox [varíola dos macacos] causa uma doença mais branda que a varíola (Smallpox), mas em alguns pacientes de risco, como imunossuprimidos e crianças, ela pode se desenvolver de forma mais grave”, explica a diretora do Laboratório de Virologia do Instituto Butantan, Viviane Botosso. Segundo ela, a tendência existe porque os grupos podem não responder tão bem à infecção ou desenvolver outros tipos de infecções após o contágio.

Atualmente, há duas variantes endêmicas da doença em circulação no planeta. A cepa na África Ocidental, que tem uma taxa de letalidade de 1% a 3%, é a única identificada nos mais de 600 casos em 33 países membros da Organização Mundial da Saúde (OMS). A outra variante, também endêmica em alguns países africanos, é originária do Congo e considerada mais perigosa, com taxa de letalidade de até 10%.

Em comunicado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), explicou que o prognóstico da doença depende de vários fatores, como estado de vacinação anterior, estado de saúde inicial, doenças concomitantes e comorbidades. Pessoas com doenças graves como doença hemorrágica, lesões de pele, sepse, encefalite ou outras condições que requerem hospitalização são exemplos.

Apesar disso, Viviane reitera que a varíola dos macacos não é considerada um vírus mortal, como o Smallpox, a varíola que atacou humanos por séculos e causou milhões de mortes no século 20. A doença foi considerada erradicada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1980, após uma massiva campanha de imunização.

Atualmente, a OMS contabiliza mais de mil casos da doença em 29 países não endêmicos, sobretudo no continente europeu. Segundo a entidade, o surgimento repentino do vírus em nações fora da África sugere que pode ter ocorrido uma transmissão não detectada há algum tempo, uma vez que, além dos relatos de homens que fazem sexo com homens, alguns países começaram a notificar um aparente contágio comunitário.

Mesmo com a explosão de casos, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom, ainda não recomenda a vacinação em massa contra a doença, porque, nos poucos locais onde estão disponíveis, os imunizantes estão sendo destinados para a população mais vulnerável e exposta ao vírus, como profissionais de saúde e funcionários de laboratório. 

No Brasil, o primeiro caso de varíola dos macacos foi registrado nesta semana, em São Paulo. Trata-se de um homem de 41 anos, que viajou a Portugal e Espanha recentemente e está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na zona oeste da capital. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), que aponta o estado clínico do paciente como “bom”.

Transmissão 

A transmissão da doença acontece por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. E, segundo a OMS, a transmissão de humano para humano está ocorrendo entre pessoas em contato físico próximo com casos sintomáticos, sejam adultos ou crianças. 

Várias espécies animais foram identificadas como suscetíveis à varíola dos macacos, mas permanece incerta a história natural do vírus, sobretudo os possíveis reservatórios e como a circulação é mantida na natureza. A ingestão de carne e outros produtos mal cozidos, provenientes de animais infectados, é um possível fator de risco.

Informações de SBT News