Imigrantes haitianos denunciam que a filha foi chamada de cocô e levou cuspida no rosto em escola de Curitiba

Pais de uma criança negra de quatro anos denunciaram atos de racismo na escola privada Sesc Educação Infantil, em Curitiba. Segundo os pais, que são imigrantes haitianos, os atos partiram de um menino da mesma idade da filha. Ele teria chamado a menina de cocô, cuspido no rosto dela e ainda teria provocado um acidente que fez ela quebrar o punho.

A escola, de acordo com a mãe e o pai da criança, não tomou providências em relação a nenhum dos atos, que aconteceram em apenas dois meses – os primeiros da vida escolar da filha.

A menina teria sido chamada de cocô já na primeira semana de aula. Uma semana depois, o menino que a xingou teria feito ela tropeçar no escorregador da escola. Ela quebrou o punho e teve que ficar 15 dias afastada.

Os pais afirmam que foram conversar com o Sesc sobre o ocorrido, e a escola disse que conversaria com a mãe do menino.

Quando a filha voltou após o acidente, porém, recebeu uma cuspida no rosto do garoto. Ela conversou com a professora, que afirmou novamente que a mãe do menino seria comunicada.

Em nota, o Sesc negou as acusações, afirmando que “nunca houve nenhum ato de preconceito ou discriminação dentro da entidade”, que a instituição é “contrária à intolerância e assume o compromisso de apurar situações de preconceito, discriminação e assédio” e que “adotou internamente diversas medidas para averiguação da veracidade dos fatos”.

A escola ainda disse que “sempre pauta todas as suas atividades institucionais por princípios éticos e humanitários elevados e nunca admitiu qualquer forma de racismo ou preconceito, pelo que rechaça todas as alegações de fatos racistas em seu ambiente escolar, bem como de omissão na apuração de fatos, tendo sempre primado por um meio ambiente hígido e saudável, para que possa cumprir sua missão legal de contribuir para o bem-estar social e a melhoria do padrão de vida dos trabalhadores do comércio e suas famílias”.

Os imigrantes denunciaram o caso ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar. Eles disseram que abriram mão da bolsa de estudo que a filha recebia e que ela será matriculada em uma escola pública da capital.

As informações são do Extra.