Paraná registra relatos de perdas por geadas no trigo do sudoeste, diz Deral

Geadas atingiram o trigo do Paraná no sábado e resultaram em “relatos” de perdas em lavouras do sudoeste do Estado, onde a maior parte das áreas está em fases suscetíveis a danos pelo frio, afirmou nesta segunda-feira um especialista do Departamento de Economia Rural (Deral).

Geou na região de Francisco Beltrão, núcleo regional que tem a terceira maior área plantada com trigo na temporada atual, com 121,5 mil hectares. Nessa área, mais de 70% do trigo está em fases sujeitas a perdas, entre floração e frutificação, de acordo com dados do departamento do governo paranaense.

O Estado havia sido atingido por geadas na sexta-feira, que foram mais fracas que as de sábado nessas áreas. No final da semana passada, o fenômeno climático também foi verificado no Rio Grande do Sul, afetando lavouras.

Mas ainda é cedo para estimar perdas, que só começam a ficar mais claras após alguns dias, e avaliar o impacto para o país, um importador líquido do cereal.

“Já temos relatos de perdas de trigo no Regional de Francisco Beltrão. Ainda é cedo para fechar algum número, mas acredito que as condições de lavoura a serem divulgadas amanhã (na terça-feira) devem dar um primeiro indicativo”, disse o agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral.

Pela estimativa atual, que não considera eventuais prejuízos por geadas, o Brasil tem potencial de produzir uma safra recorde acima de 9 milhões de toneladas de trigo em 2022, após produtores aumentarem o plantio por conta de bons preços, especialmente no Rio Grande do Sul.

O Paraná tem safra estimada pela Conab em 3,9 milhões de toneladas, o que seria mais de 20% acima do visto na temporada passada. Mais de 10% da área do Estado está em fases sujeitas a perdas.

“Além da possibilidade de geadas tardias, ainda podemos ter chuvas na colheita. Apesar dos eventos recentes, continuamos tendo possibilidade de superar a safra anterior, em uma análise preliminar. Esperar para ver, agora”, acrescentou Godinho.

A colheita de trigo no Paraná está em fase inicial no Estado.

No Rio Grande do Sul, com safra estimada pela estatal Conab em 4 milhões de toneladas, 9% das áreas estão em floração e 1% em enchimento de grãos, fases em que as geadas provocam mais perdas, segundo a Emater.

“Tivemos um período de chuvas e atrasou o plantio, então a imensa maioria não está em fase de risco; o maior risco é depois do florescimento, quando começa a encher o grão”, comentou o diretor técnico da empresa de assistência técnica gaúcha Emater, Alencar Rugeri.

Segundo ele, alguns produtores de trigo tiveram prejuízos, mas “em termos de região e Estado isso não é nada que possa apresentar mudança em perspectivas da safra”.

Milho

Além de ameaçar algumas lavouras de trigo, o frio intenso tem prejudicado os primeiros trabalhos de plantio de milho da nova safra (2022/23), segundo analistas.

“Concentrada neste primeiro momento nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a semeadura (de milho) andou pouco devido à previsão de temperaturas próximas de 0ºC no fim de semana”, afirmou em nota a consultoria AgRural, nesta segunda-feira.

Segundo a empresa de análises, o plantio do milho verão havia alcançado na quinta-feira 1,8% da área estimada para o centro-sul do Brasil, com tímido avanço sobre o 1,6% da semana passada e atraso em relação aos 4,1% do ano passado.

Sobre a colheita da segunda safra de milho deste ano, os trabalhos tinham sido realizados em 89,5% da área cultivada no centro-sul, contra 85,4% uma semana antes e 79,1% no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da AgRural.

O ritmo poderia ter sido mais acelerado, mas chuvas registradas em São Paulo, no Paraná e especialmente em Mato Grosso do Sul tornaram os trabalhos mais lentos, acrescentou a consultoria.