Presença feminina no Porto de Paranaguá aumenta 136% em 5 anos

O número de mulheres que atuam na atividade portuária do Paraná cresceu 136% nos últimos cinco anos. Em 2017, 123 trabalhadoras fizeram crachá para trabalhar no cais e demais áreas do Porto de Paranaguá. No ano passado, foram 291.

No caso dos homens, eram 2.047 em 2017 e 3.208 no ano passado, com aumento de 56%. Ou seja, proporcionalmente o acesso das mulheres cresceu bem mais. Todos os funcionários, da empresa pública e das operadoras privadas, precisam do documento para acessar o local. 

Segundo o sistema de controle de acesso do porto paranaense, foram 979 novos crachás emitidos para mulheres entre 2017 e 2021. Antes desse período não havia registro porque o sistema era outro, mas, segundo a autoridade portuária, o processo acelerou nos últimos anos.

Para a engenheira e gerente de engenharia Jamile Luzzi Elias, a frequente modernização dos portos do Estado contribui para esse avanço. A empresa teve a gestão reconhecida como a melhor do País nos dois últimos anos pelo Ministério da Infraestrutura.

“A participação da mulher acompanha a modernização da atividade portuária, deixando de ser unicamente uma função braçal, para atividades de gestão, engenharia, coordenação e integração de ações”, avalia.

Chefe de uma equipe predominantemente masculina, ela conta que não enfrenta problemas ao comandar colegas homens. “Formamos uma equipe unida, focada em pensar, planejar e construir um porto para as próximas gerações. Tenho uma equipe multidisciplinar em todos os sentidos. São engenheiros com mais de 50 anos de formados e novatos, com poucos anos de casa. Independente de idade ou gênero, nosso objetivo é o mesmo: modernizar a infraestrutura portuária com excelência”, finaliza.

Já a técnica em Segurança do Trabalho Jamile Marçal acredita que é possível ter cada vez mais um ambiente mais equilibrado no trabalho de homens e mulheres. “É preciso que mais mulheres escolham essa área, busquem a capacitação e venham contribuir para o desenvolvimento dos portos. Devemos resistir através da competência técnica para, aos poucos, conseguir diminuir essa desigualdade de gênero”, projeta.

Na visão da bióloga e analista portuária Andréa Lopes, que também trabalha diariamente no local, enfrentar esse mundo ainda bastante masculino é um desafio. “Não é raro eu participar de reuniões com 15, 20 pessoas e, facilmente, eu ser a única mulher presente. Então ainda há, em alguns casos, um desafio em ser ouvida e ter a opinião respeitada”, afirma.

Para ela, o mais importante é tornar o ambiente portuário seguro para todos os trabalhadores. “É essencial abrir espaço e acolher estes profissionais. Por mais que elas estejam entrando no mercado, muitas ainda desistem por conta do histórico de ser uma atividade masculina, de machismo”, justifica.

As informações são da AEN.