Casamentos além dos sábados: produção de vestidos de noiva tem rotina alterada

A pandemia mudou uma série de hábitos, isto é fato. E tais alterações têm provocado surpresas ao atingirem determinados setores. É o que tem acontecido com força na área de eventos. De acordo com a Associação Nacional de Registradores de Pessoas Naturais (Arpen Brasil), houve aumento de 21% na entrada de documentação para matrimônios, em comparação com 2020. Foram tantos casamentos adiados que o sábado, data clássica para as cerimônias, têm ocupado os ramos envolvidos nas celebrações de uma maneira que se tornou comum haver casamentos às sextas-feiras e aos domingos (e em alguns outros dias da semana também). Portanto, quem trabalhava freneticamente para que tudo estivesse pronto no sábado também mudou seus costumes.

A estilista de vestidos de noiva Flayza Vieira já se adaptou à nova realidade. No ateliê onde produz peças exclusivas e feitas sob medida para cada mulher, já está vestindo noivas para cerimônias agendadas para uma terça-feira. “O setor de eventos foi um dos mais impactados com a pandemia. Hoje estamos recebendo muitas noivas da demanda reprimida e o setor está trabalhando mais, pois, além dos novos clientes, entrega eventos adiados e que estão acontecendo agora. Notamos um aumento de 34% na procura desde quando liberaram o uso de máscaras”.

Flayza vive a experiência de ter, além das entregas em datas menos comuns, clientes que precisam alterar os locais das cerimônias por conta da alta procura e falta de disponibilidade dos espaços. “Uma das minhas noivas já trocou o local de evento três vezes. Como estilista, desde que o local tenha o mesmo estilo não afeta o vestido. Por exemplo, se a noiva ia casar no campo e trocou pela igreja, o vestido pode mudar completamente”, destaca.

A estilista tem percebido que cerimônias em locais ao ar livre têm aumentado nos últimos tempos. O que Flayza recomenda é que os noivos não deixem de acompanhar as agendas dos locais próprios para eventos, muito menos a disponibilidade para a confecção dos vestidos, sob risco de não haver tempo hábil para que estejam prontos. “A agenda dos estilistas também está ficando cheia. Apesar de podermos fazer mais de um vestido por data, temos capacidade determinada devido à equipe”, finaliza.