Número de vegetarianos no Brasil é alto e oferta de alimentos a base de plantas cresce

O Brasil está entre os países que mais consomem carne bovina no mundo, ocupando a terceira posição no ranking mundial entre as 38 nações membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo um estudo realizado pela plataforma Cupom Válido. Apesar disso, o número de pessoas que evitam comer proteína animal vem crescendo e mudando gradualmente a perspectiva do país. 

Foto: Reprodução/ Freepik

O vegetarianismo é um estilo de vida adotado por milhões de brasileiros, incluindo celebridades como Maísa, Felipe Neto, Giovana Ewbank, Rodrigo Santoro, Kéfera e Thaila Ayala. Segundo uma pesquisa encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira ao Ibope, em 2018, os adeptos à alimentação vegetariana já somavam 30 milhões no Brasil naquele ano, representando 14% da população brasileira. 

A entidade revelou que, do total de vegetarianos, cerca de 7 milhões são veganos (3,2% da população), ou seja, não consomem nenhum produto de origem animal ou que tenha sido testado em animais. Para os adeptos dos dois tipos de alimentação, o consumo de superfoods e outros alimentos à base de plantas é uma alternativa recorrente no dia a dia. 

Os motivos que levam os brasileiros a aderirem a esse tipo de alimentação são vários, entre eles o aumento no número de produtos plant based e a busca por um estilo de vida alinhado à sustentabilidade e à saúde. 

Crescimento de produtos sem origem animal 

Uma das dificuldades que muitos encontravam ao decidir cortar o consumo de proteína animal ou de produtos que tenham essa origem era a falta de itens disponíveis no mercado para criar uma alimentação diversificada. No entanto, o cenário não é mais o mesmo e os adeptos a esse estilo de vida já conseguem perceber a variedade de alimentos disponíveis nas prateleiras. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), os lançamentos globais de produtos à base de plantas aumentaram 40% entre 2015 e 2019. O estudo revelou ainda que o Brasil está entre os países das Américas do Sul e Central que mais apresentam novidades nesse setor. 

A Sociedade Vegetariana Brasileira criou, em 2013, um selo de certificação para diversos produtos como alimentos, cosméticos, higiene, limpeza e moda. Essa certificação é dada a cada produto livre de ingredientes de origem animal, auxiliando a identificação por apoiadores da causa. 

A iniciativa favorece o conhecimento desses produtos, que só vem crescendo no país. Um mapa divulgado pela entidade mostra que milhares de endereços comerciais já oferecem opções veganas para a população. O serviço batizado de Onde tem Opção Vegana reúne mais de 3.500 estabelecimentos espalhados em todo o território nacional. 

Apesar do crescimento, a Associação Brasileira de Supermercado (Abras) avalia que a demanda por esses produtos ainda é maior que a oferta do país.

Benefícios à saúde

A inserção de alimentos à base de plantas na alimentação é um fator benéfico à saúde.

Segundo um estudo publicado no Journal of the American Heart Association, uma dieta baseada em vegetais pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardiovasculares em 16%. 

Outra pesquisa divulgada no Journal of Hypertension apontou que pessoas que seguem a alimentação vegetariana têm um risco 34% menor de desenvolver hipertensão do que aqueles que não aderem a esse estilo de alimentação. 

No entanto, muitas pessoas, ao eliminar ou limitar o consumo de carne, acabam aumentando o consumo de alimentos de origem vegetal ultraprocessados, como margarina, batata frita, refrigerante, bolos, entre outros. Com isso, e considerando a exclusão de todo um grupo de alimentos, esse estilo de alimentação requer um cuidado redobrado. 

Para compensar, superfoods (alimentos com alta densidade nutricional, ou seja, muitos nutrientes por caloria) podem ser incluídos na alimentação plant based e na dieta vegetariana e vegana. 

Sustentabilidade também é bandeira vegetariana 

Não só a saúde se beneficia desse modelo alimentar. O apoio à sustentabilidade é um dos principais fatores que ajudam no crescimento de vegetarianismo, veganismo e consumo de alimentos à base de plantas.

Um estudo publicado na revista científica Nature Food destacou que a produção de carne é responsável por 57% das emissões de gases de efeito estufa no setor alimentício, enquanto os alimentos plant based representam 29%. Há que se considerar, no entanto, que no Brasil boa parte do gado é criado a pasto, o que faz com que esses índices tenham outra proporção.

Por outro lado, o consumo de carne também está ligado ao desmatamento. Segundo o relatório Fleischatlas 2021, 63% da área desmatada na região amazônica vira pasto para a alimentação do gado. 

Tendência em crescimento

Saúde, sustentabilidade e motivações pessoais fomentam o crescimento de uma alimentação sem carne e à base de plantas. Segundo pesquisas, a tendência é que os números desse estilo de vida continuem em crescimento. 

Segundo um levantamento realizado pelo Good Food Institute, em conjunto com o Ibope em 2021, 49% da população brasileira reduziram o consumo de proteína animal e 39% introduziram alternativas vegetais três vezes por semana, enquanto 59% consome esses alimentos uma vez por semana. 

Em relação aos alimentos à base de plantas, a expectativa também é de crescimento. Segundo o Meticulous Market Research, os negócios plant based terão uma expansão anual média de quase 12% até 2027, enquanto o setor de carne deve crescer 4,5% ao ano.

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