Estudo mostra que mortalidade de brasileiros até abril foi 64% maior do que o esperado

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – Dados levantados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) mostram que, entre 1º de janeiro e 17 abril, morreram 64% mais brasileiros do que o esperado para o período, a maioria entre homens até 59 anos.

Os dados levantados pelo painel com base nos dados no Portal da Transparência do Registro Civil mostram que em três meses e meio de 2021, 211.847 pessoas morreram de causa naturais –mau funcionamento do organismo ou doenças, incluindo a Covid-19– além da projeção da série histórica de mortalidade para esse período.

De acordo com o Conass, o número de mortes já era bem superior à projeção em janeiro deste ano, quando foi 36% maior que o previsto. A tendência se manteve nos meses seguintes e acelerou entre a metade de fevereiro e o início de abril, quando passou de 40% além do esperado para 117%.

“Na última semana epidemiológica analisada, de 11 a 17 de abril, o excesso de mortalidade proporcional alcançou 79%. Em números absolutos, ocorreram 17.837 óbitos a mais do que o esperado no período”, diz o levantamento. Em 2020, o excesso de mortalidade durante todo o primeiro ano da pandemia no país, foi de 22%, ou 275.587 pessoas.

O Painel aponta que as mortes não esperadas podem ser reflexo não apenas da Covid-19, mas de atraso no diagnóstico e tratamento de outras doenças, tanto pelo colapso do sistema de saúde quando pelas pessoas evitarem buscar atendimento em meio à pandemia.

O excesso de mortes foi de 68% entre homens e 61% entre as mulheres e se concentra entre pessoas com até 59 anos. Nessa faixa, o índice de mortes não esperadas foi de 86% entre homens e 81% entre as mulheres.

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