Infectologista tira dúvidas sobre o vírus H3N2

O ano de 2022 já começou com mais uma sigla: H3N2. Essa é a nova cepa do vírus da gripe, batizada de Darwin, responsável pelo aumento na procura médica devido aos sintomas da doença, inclusive no Paraná.

Esse momento atípico na alta de casos tem se agravado com o fim das festas de fim de ano e soma-se à preocupação com a covid-19 e a variante ômicron.

Para auxiliar a população, a infectologista da Santa Casa de Curitiba, Viviane de Macedo, tirou algumas dúvidas sobre a doença. A profissional deu orientações sobre os principais sintomas, assim como as formas de proteção.

Popularmente, a sociedade já estava acostumada com o H1N1. Agora, o nome mudou e se chama H3N2. Por que isso?

“A mudança de nome possui uma razão científica. Antes de tudo, a gripe é causada pelo vírus influenza, que possui três tipos: A, B e C. Os dois primeiros são os mais propícios a causarem epidemias sazonais em diversas partes do mundo. Enquanto o tipo C é considerado o mais leve”, diz a especialista.

De acordo com Viviane, ambos H1N1 e H3N2 são subtipos do vírus da influenza A e a diferença entre os dois está baseada nas duas proteínas localizadas na superfície do vírus: a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N).

“As proteínas H são divididas em 18 subtipos diferentes, enquanto a N possui 11. Por isso, sempre que uma nova cepa do vírus surge, os números mudam”, explica a doutora.

Assim, o nome é baseado em cada um desses tipos. O vírus atual possui a proteína H tipo 3 e a N tipo 2, tornando-se, então, H3N2. A mudança no número da proteína ocorre devido às mutações, que acontecem quando o vírus circula muito entre as pessoas.

Principais sintomas e cuidados

Os sintomas do H3N2 começam a surgir entre 1 a 4 dias após o contato com o vírus. Esse período corresponde ao tempo de incubação dentro do organismo.

Entre os principais sinais da infecção estão dor muscular, febre, dor de cabeça e de garganta, assim como mal-estar. Todas são bem frequentes e similares aos outros vírus da gripe.

Nos casos mais leves, as pessoas com mais de 12 anos precisam se manter em isolamento domiciliar por cinco dias. Em pessoas menores de 12 anos esse período é de até sete dias. “Nos casos leves é possível fazer o uso de remédios chamados sintomáticos, aqueles que tomamos para aliviar a dor, em caso de necessidade”, complementa a profissional.

“É essencial que os pacientes do grupo de risco, como idosos, pessoas com comorbidades ou crianças abaixo dos 2 anos quando houver a suspeita da Influeza sejam medicados com Oseltamivir em até 72 horas do início dos sintomas”, explica Viviane.

É essencial que em qualquer sinal de piora do quadro clínico, o paciente procure novamente o atendimento médico.

O Instituto Butantan já está produzido a vacina desse ano. O novo imunizante será trivalente, servindo contra às duas cepas da influenza (H3N2, H1N1), assim como a influenza B. Da mesma forma, a convocação será através da classificação de prioridade, chamando grupos de risco, profissionais da saúde e de outros setores essenciais.

Covid-19 E H3N2: o que fazer?

“Flurona”. Nos últimos dias, você deve ter visto esse termo nos principais canais de notícias do Brasil e do Mundo. Esse é o nome que se dá para a dupla infecção da Covid-19 e do vírus da gripe. O nome é a junção de “flu”, que significa gripe em inglês, e “rona” sendo as duas sílabas finais de “corona”.

A infectologista afirma que pode haver a infecção pelos dois vírus, porém é menos comum do que pode se achar. “De qualquer forma, os casos que vemos de dupla infecção, o tratamento é feito de forma conjunta”.

Em casos leves, as orientações são as mesmas. O paciente precisará ficar em isolamento social de cinco dias para influenza e sete dias para covid-19. Poderá ainda usar remédios sintomáticos, como analgésicos em casos de dor.

“Em casos mais graves será necessária a hospitalização, onde é empregado um tratamento de suporte ao paciente com a equipe médica capacitada”, explica a doutora.

No entanto, para manter a segurança de todos a receita é a que já conhecemos. O uso de máscara cobrindo nariz e boca, higienização das mãos e evitar aglomerações. Da mesma forma, manter o distanciamento entre pessoas de pelo menos 1,5 metros.

E claro, se vacinar. A vacina ajuda o organismo a lutar contra a doença, evita hospitalizações.