Para presidente da CPI, governo tinha gabinete paralelo e nunca apostou em vacinas

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta segunda-feira que já é possível afirmar que o governo não investiu em vacinas como instrumento de combate à pandemia e, pelo contrário, apostou no chamado tratamento precoce, com a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada, e na chamada imunidade de rebanho.

Para o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), já há uma “primeira parte” das investigações concluída e deve ser abordada uma segunda parte nesta semana, quando está previsto o depoimento da médica Nise Yamaguchi. Declarada defensora do uso da cloroquina para o tratamento da Covid, apesar de sua ineficácia comprovada, Yamaguchi seria integrante do suposto gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro sobre o enfrentamento à pandemia.

“Temos certeza que o governo federal nunca apostou na vacina, nunca quis comprar vacina, apostava no tratamento precoce e na imunização de rebanho, isso nós temos certeza”, disse o presidente da CPI à CNN.

Segundo ele, não interessa debater na comissão os efeitos da cloroquina, “já deu”, mas avançar nas investigações sobre o aconselhamento paralelo.

Mais cedo, em entrevista à GloboNews, Aziz afirmou que “para quem dizia que a CPI não daria em nada, já identificamos o gabinete paralelo e a recusa de vacinas”.

A CPI ouve a médica Nise Yamaguchi na terça-feira. Senadores devem questioná-la sobre o chamado gabinete paralelo e sobre tentativa de mudança em bula da cloroquina para inseri-la no tratamento contra a Covid em reunião no Palácio do Planalto, barrada pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

A informação foi revelada a partir de depoimentos já prestados à CPI, que também deram conta de atrasos e ausências de respostas do governo federal a propostas de compra de vacinas da Pfizer e da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan.

Aziz comentou ainda as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro ocorridas em diversas capitais do país no sábado. Aziz se disse contra aglomerações, independentemente de motivação política. “Nada é valido nesse momento, nem a favor nem contra (o governo).”

(Reportagem de Maria Carolina Marcello; Edição de Maria Pia Palermo)

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