No Paraná, o município de Bituruna tem destaque na produção de uva

O imenso cacho de uva, encostado no garrafão de vinho, cuidadosamente instalado na entrada da cidade de Bituruna, dão a dimensão de como a fruta e seus derivados são características marcantes do local, que fica no Sul do Paraná. O produto movimenta a economia do município, que tem pouco mais de 16 mil habitantes.

A uva é um dos itens importantes da agricultura paranaense. “A uva daqui é diferenciada, o que determina um vinho diferenciado também. Já ouvi de turistas de Pernambuco, que vieram conhecer a plantação, que eles nunca haviam experimentado frutas tão doces. É um sabor especial”, diz o produtor Renato Jair Sandi.

Sandi é um dos principais “artesãos da uva” de Bituruna, no ano que vem, ele completará duas décadas de trabalhos na área. Em média, ele produz cerca de 30 toneladas por mês de uvas rústicas, que são especiais para vinho e de uvas de mesa, recomendadas para o consumo.

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, em 2020, Bituruna produziu 250 toneladas da uva de mesa, espalhadas em dez hectares de plantação. Além dessas, outras 780 toneladas da fruta para vinho foram produzidas, em uma área de 85 hectares.

“É uma tradição que passa de geração para geração. Notamos que, gradativamente, a produção da uva de mesa vai ganhando mais espaço por causa do valor agregado. Enquanto o quilo das uvas que vão para a indústria do vinho saem em média por R$ 1,50, aquele especial para o consumo chega a R$ 5”, explica o técnico agrícola do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-Paraná), Marcos Ludorf.

Vinícolas

O empresário Everton Sandi sabe bem como funciona a troca de experiências para as outras gerações. Ele conta que o avô trouxe para Bituruna a tradição da uva, já consolidada no Rio Grande do Sul, abrindo a jornada da família nos parreirais paranaenses. O pai dele seguiu o trabalho, até o negócio chegar à terceira geração.

Junto com os irmãos, Sandi deu o impulso que faltava para a vinícola Di Sandi prosperar. Hoje, a colheita de fruta na propriedade de 8,5 hectares chega a 180 toneladas por ano. A fruta também é transformada em mais de 200 mil litros de vinho, em uma carta que contempla mais de dez tipos da bebida, além de espumantes, grappa e sucos, parte de uma produção associada com outros parceiros.

Indicação geográfica

Outra particularidade do município é a uva casca dura. A fruta recebe esse nome justamente por ter a casca mais resistente do que o normal. O produto busca ser reconhecido nacionalmente com o selo de Indicação Geográfica (IG), que poderá ser replicado nas bebidas derivadas desta qualidade de uva. O processo está em andamento, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi).

“Isso vai acabar com qualquer tipo de falsificação. Uva e vinho de Bituruna serão somente esses, com o selo de procedência”, diz Renato Sandi.

No Paraná

No Paraná, a produção de uva está espalhada na maior parte das regiões. Atualmente, o Estado tem 3.584 hectares destinados à cultura, que somam uma produção de 53,1 mil toneladas, segundo dados do Deral. É o quinto maior produtor do Brasil.

O município de Marialva lidera o ranking estadual com uma área de 473 hectares (13% do total) e produção de 11,7 mil toneladas. Outros destaques são Rosário do Ivaí, Mallet, Cerro Azul e Bandeirantes, além da própria Bituruna.

Série de reportagens

As uvas de Bituruna fazem parte da série de reportagens: Paraná que alimento o mundo, desenvolvida pela Agência Estadual de Notícias (AEN). A previsão é que o material seja publicado durante o ano inteiro.

Colaboração AEN