Autor de ataque instalou artefatos explosivos em creche de SC; ele vai responder por cinco homicídios

Durante o ataque à creche Aquarela, em Saudades, Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, instalou artefatos explosivos em uma das salas. A informação foi confirmada pelo promotor responsável pelo caso, Douglas Dellazari. Os artefatos teriam estourado durante o ataque, fazendo os vizinhos da creche imaginarem que seriam disparos por arma de fogo.

Fabiano responderá por cinco homicídios consumados e 14 homicídios tentados, contra oito adultos e 11 crianças. Os crimes foram descritos como torpes, cruéis e utilizando recursos que dificultaram e impediram a defesa das vítimas. Durante a coletiva de imprensa, realizada na tarde desta sexta-feira (21), o promotor detalhou as ações de Fabiano antes e durante o ataque brutal que vitimou três crianças e duas profissionais da instituição. No momento do crime, 40 pessoas estavam na creche, sendo 19 crianças e 21 profissionais.

“Fabiano queria um massacre. Nos relatórios foi possível observar inúmeras e reiteradas pesquisas de extrema violência, com matança generalizada. Fabiano nutria especial idolatria por assassinos em série”, explicou Dellazari ao informar que o objetivo do autor do crime era matar o maior número de pessoas.

Durante dez meses, Fabiano planejou, pesquisou sobre ataques à escolas e se manifestou em fóruns na internet sobre outros crimes. Nos meses que antecederam a tragédia, Fabiano se informou na internet sobre o retorno das aulas presenciais em Santa Catarina, em especifico em Saudades. Um dia antes de cometer o crime, no dia 3 de maio, ele pesquisou informações sobre a creche.

(Foto: Reprodução/Polícia Civil)

“Eu não vislumbro nenhuma dúvida razoável, nenhum indício, de que ele é insano mentalmente. Muito pelo contrário, quer se dar uma justificativa para um ato injustificável. Infelizmente atos infames, vis, cruéis e maldosos também são cometidos por pessoas mentalmente sãs”, explicou Delazzari, que também afirmou que Fabiano tinha a necessidade e o interesse de reconhecimento e fama.

“Foi um caso gravíssimo que marcou a história do nosso estado”, enfatizou o procurador-geral de Justiça, Fernando da Silva Comin. Durante a coletiva o procurador e os promotores de Justiça se solidarizaram com as famílias das vítimas e com a comunidade em geral de Saudades. Além disso, afirmaram que o MPSC está trabalhando para que se tenha uma punição exemplar para prevenir novas tragédias como a da creche Aquarela.

Dia do ataque em Saudades

No dia 4 de maio, Fabiano saiu para trabalhar e no horário de intervalo voltou para casa, preparou a mochila, fez um lanche, pegou sua bicicleta e foi para a escola. Com as duas armas brancas, uma de uso militar e outro para uso em vegetação, atacou brutalmente as profissionais e depois as crianças.

“Por pouco essa tragédia não foi pior (..) o terror se alastrava pelo local”, Fabiano chegou a entortar portas tentando adentrar as salas. Os promotores reforçaram que ele utilizou força física para tentar invadir outras salas onde estavam crianças e professoras, e as profissionais impediram que ele entrasse e assim a tragédia fosse maior. Ele ainda “ele incrementou seu tom sádico. debochou da situação, batendo nos vidros da janela.

Uma das professoras, sem saber da realização do ataque, chegou a ficar cara a cara com Fabiano. Com a faca de 68 centímetros, o autor tentou desferir um golpe contra o rosto da profissional, lesionando de forma superficial o pescoço e rasgando a máscara de proteção contra a covid-19 da educadora.

Informações do Portal SCC – SBT