Autista morto no Paraná era indesejado pela família e sofria torturas, diz polícia

O padrasto e a mãe do jovem autista Rômulo Luiz Fernandes Borges, de 19 anos, encontrado morto dentro de casa no dia 17 de fevereiro, foram indiciados pela Polícia Civil de Ponta Grossa pela prática dos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e cárcere privado. Eles foram presos no dia 18.

O laudo de necropsia do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a morte de Rômulo aconteceu por conta de um traumatismo craniano. Ele teria sido agredido pelo padrasto de forma violenta.

De acordo com as provas obtidas pela Polícia Civil durante as investigações, a vítima era mantida em condições degradantes na residência do casal e vivia em um quarto improvisado no banheiro desativado do imóvel. O cômodo estava com o teto mofado, tinha infiltrações, estava sem luz e completamente sujo. As denúncias apontaram ainda que, todas as vezes que o jovem tinha uma crise nervosa, era amordaçado pelo casal.

Na casa, não havia fotos de Rômulo, mas os investigadores encontraram quadros e pôsteres pendurados com fotografias dos outros filhos do casal, indicando que a vítima era indesejada pela família.

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Agressões teriam começado em 2018

Segundo o o delegado Luís Gustavo Timossi, que está à frente do caso, os primeiros relatos de agressão ocorreram em de 2018, quando a mãe de Rômulo iniciou o relacionamento com o padrasto da vítima. Em uma das ocasiões, os profissionais da escola que o jovem frequentava perceberam nele marcas de cintada e fivelas, além de perda de peso.

A mãe foi chamada e, após as denúncias, Rômulo parou de fazer tratamento no local e o casal não permitiu visitas dos profissionais a sua residência. O delegado ainda disse que o jovem não falava, então não conseguia denunciar os abusos.

Timossi esclarece ainda que, embora a mãe do jovem não estivesse na casa quando o filho morreu, ela deve ser responsabilizada por ter se omitido em proteger o rapaz.