Enquanto policial recuperava arma, vítima denunciava comportamento do ex-marido na Corregedoria da PM

Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (14), a Polícia Militar (PM) informou a ordem cronológica dos fatos que levaram ao momento em que o policial Dyegho Henrique Almeida da Silva matou a ex-mulher Franciele Cordeiro e Silva, 28 anos, no bairro Rebouças, em Curitiba, na tarde de terça-feira (13).

De acordo com a PM, Dyegho ficou afastado da corporação durante um mês, por problemas psicológicos. Ele retornou em abril, quando começou a trabalhar com atividades administrativas, sem ter posse de arma.

Quando um policial é afastado, a arma que ele utiliza é recolhida. Após retornar ao trabalho, o soldado permanece sem o equipamento. Após alguns meses, dependendo de cada caso, ele passa por uma nova avaliação com um médico, que permite ou não a entrega da arma.

No caso de Dyegho, ele ficou apto a receber novamente a arma na terça-feira (13). Por volta das 16h30, ele estava buscando o equipamento. Um pouco mais cedo na tarde de terça, por volta das 15h40, Franciele estava na Corregedoria da PM para denunciar o comportamento do ex-marido. Às 17h10 eles se encontraram e ele realizou os disparos.

Comportamento de Dyegho

Antes de ir até a Corregedoria, Franciele já tinha notificado o comportamento agressivo de Dyegho. No domingo (11), a vítima fez um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher solicitando uma medida protetiva de urgência, a qual foi concedida.

A corporação acredita que Franciele não sabia que a medida havia sido aprovada. Durante a coletiva, a PM afirmou que não tinha conhecimento dessa solicitação e nem dos outros boletins de ocorrência envolvendo Dyegho.

A corporação também alegou que há boletins de ocorrência de Dyegho contra Franciele, relatando violência. Apesar disso, a PM nunca havia sido notificiada da necessidade de intervenção.

Quanto ao comportamento do policial na corporação, a PM relatou que ele não apresentou alteração nos últimos serviços que realizou. Ele teria até elogios em sua ficha. A PM não soube informar se já haviam ocorrido outros afastamentos.

Os policiais acreditam que quando buscou a arma, Dyegho tinha a intenção de cometer o crime.

Comportamento da PM durante a ocorrência

Na coletiva de imprensa foi questionado o comportamento dos policiais que atenderam a ocorrência.

A PM explicou que a situação começou quando uma equipe ouviu disparos e encontrou o homem com a arma na mão. O primeiro procedimento foi solicitar que ele largasse o equipamento, o que não ocorreu.

Os policiais solicitaram apoio e as equipes de gerenciamento de crise foram até o local, assumindo a ocorrência. Os soldados adotaram o protocolo padrão: retiraram todos do ambiente e fizeram o isolamento da região.

Segundo a explicação policial, foi estabelecido contato com Dyegho para tentar negociações, pois, até o momento, os policiais não tinham certeza se Franciele estava no veículo e qual era o estado de saúde da vítima. Por volta de 21h30, a ocorrência teve desfecho com o policial tirando a própria vida.

A PM ainda acrescenta que sempre que as equipes procuravam avançar na direção do policial, ele reagia de forma agressiva e colocava a arma na cabeça.

Os representantes da corporação confirmam que alguns soldados reconheceram Dyegho e sabiam que ele também era policial militar. A PM afirma que os protocolos seguidos foram corretos.

Para saber mais detalhes da morte da Franciele será necessário aguardar o laudo da perícia, pois não é possível indicar em qual momento ela veio a óbito.

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